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Thiago Vinhal: Eu tive que seguir um caminho quebrando os paradigmas

Aproveitamos o briefing da Corrida Asics Golden Run 21km que aconteceu em Belo Horizonte, no último final de semana, para trocar uma ideia com o Thiago Vinhal que compartilhou conosco pouco da sua história e seus próximos objetivos.

Thiago Vinhal: Eu tive que seguir um caminho quebrando os paradigmas
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Se tornar um atleta profissional no Brasil não é trivial. As adversidades vão fazer parte do dia a dia, mas o foco e a vontade de realizar o seu sonho devem ser maiores que qualquer dificuldade. E no final, olhar para traz e dizer: valeu a pena! É essa a mensagem que o Thiago Vinhal quer perpetuar. Aproveitamos o briefing da Corrida Asics Golden Run 21km que aconteceu em Belo Horizonte, para trocar uma ideia com o triatleta que compartilhou conosco pouco da sua história e seus próximos objetivos.

Vinhal é cliente Treinus, coleciona excelentes resultados no Brasil e no mundo, já fez história como primeiro triatleta negro a competir em Kona e vice-campeão do Ironman Malásia 2016. Ele também é  patrocinado por grandes feras do mundo esportivo e do mercado: Tênis Pé Baruel, Asics, Sense Bike, a Gol/ Delta, a Patrus Transportes, a Orthocrin, a BDO, Cultura Inglesa, Kask e Shimano.

Confira como foi a nossa conversa:

Crédito da foto: rcruzworld

Treinus: Thiago, conta para a gente quando você decidiu que queria praticar esporte de alto rendimento?

Vinhal: Meu sonho sempre foi viver do esporte. Na adolescência eu não acreditava muito que eu poderia seguir esse sonho. Então, eu fui desviado no meio do caminho, mas depois, quando fiz 18 anos eu consegui uma bolsa no UNI-BH. Aí eu vi que se eu estava estudando de graça, eu tinha algum talento e investi  pelo menos 5 anos, que foi o período da faculdade. Eu investi o melhor que eu podia, focado sempre, fazendo as melhores escolhas para estar entre os melhores da modalidade, do Ironman, do Triathlon e deu certo. E eu estou aí até hoje!

Treinus: Como o esporte impactou a sua vida?

Vinhal: Bom, eu já nasci praticando esporte. Então a minha vida e o esporte, praticamente se confundem. Eu sem o esporte, nem estaria vivo, talvez. Meu sangue é esporte, é adrenalina, é treinamento, é suor. Hoje, além de realizar as minhas metas pessoais e motivar as pessoas, não só como educador físico, mas também, como atleta de performance, represento o Brasil mundialmente. Tudo vai se conectando e eu vi que tudo faz sentido. Segui meu sonho lá atrás, quando todo mundo não acreditava. Ninguém conhecia o Triathlon, foi difícil, mas agora parece que eu dei sorte de estar no lugar certo, na hora certa.

Treinus: Você falou agora de representar o Brasil, a próxima meta agora é o Ironman em Kona. Qual o desafio até lá?

Vinhal: O primeiro desafio é se classificar. Você tem que estar entre os 50 melhores do mundo e depois se preparar o melhor possível para chegar lá e competir contra eles. A primeira meta já foi, já consegui a classificação. Agora eu tenho mais seis semanas para dar o meu melhor, só fazer as melhores escolhas, para estar entre os melhores. Eu não quero ir lá só para competir, quero ficar entre os 10. Fiquei em 13º no ano passado e o meu desafio é realmente esse. Para isso tem que dar tudo certo no dia, tem que dar certo agora nos treinos também, não lesionar. É foco total, ficar 24h ligado no que eu estou almejando, porque se não, não dá certo.

Treinus: Quando um atleta quebra no meio da prova, o psicológico luta muito contra. Como encontrar uma motivação em um momento controverso e voltar a performar bem na prova?

Vinhal: Eu acho que quando você tem consciência do que é seu sonho, fica tudo mais fácil. Porque o seu sonho te acorda todo dia de manhã e te move nas horas difíceis. No meu caso, a minha motivação é meu sonho. Agora eu quero ser campeão mundial e levar realmente o Brasil para o mundo. É isso que me deixa mais forte nas horas difíceis. Mas eu acho que as pessoas e os atletas amadores têm que descobrir a motivação, pode ser o sorriso de algum parente, do filho, da esposa, alguma coisa boa e lembrar disso durante os momentos difíceis, porque é só isso que faz a diferença.

Treinus: Você além de atleta tem uma assessoria esportiva que é nosso cliente. Comenta para a gente como é a sua experiência com a Treinus.

Vinhal: Acho que todo treinador para ter um feedback ideal do atleta precisa de uma ferramenta para facilitar. Eu acho que no Brasil, o educador físico precisa de uma base administrativa para gestão por não ser um administrador. A Treinus entra justamente para complementar o negócio de uma assessoria esportiva. Não existe hoje uma assessoria que funcione sem a Treinus, uma ferramenta que vai aproximar o atleta dele e vai deixar que o negócio flua de uma maneira potencializada.

Treinus: Fizemos uma análise recentemente das assessorias esportivas do Brasil, e um fato que a gente tem percebido é que as pessoas começam a praticar corrida, normalmente, a partir dos 25 anos e no esporte, quanto antes você começar a praticá-lo, maior será o seu rendimento. Qual a sua dica para quem quer começar agora e o que você acha que é necessário para iniciar a prática esportiva o quanto antes?

Vinhal: Acho que esse fomento da atividade física como performance ou como profissão tinha que ser em um ângulo global, governamental. Porque as famílias brasileiras tinham que entender que o esporte pode  ser uma profissão, que ele é formador do caráter da criança ou do adolescente, em todas as vertentes, como indivíduo. Eu sou exemplo disso. Eu investi tudo o que eu podia no esporte, mesmo a minha família querendo que eu seguisse outros caminhos e, realmente, deu muito certo. Hoje em dia todo mundo bate palma e fala “que lindo”, mas eu tive que seguir um caminho quebrando os paradigmas. No Brasil hoje em dia, atividade física profissional é só jogador de futebol. Todo mundo acha que eu sou jogador de futebol, porque eu vivo do esporte. Eu sou totalmente a favor das outras modalidades. Todo atleta no Brasil que vai para uma Olimpíada, que faz o que eu fiz, ou o que o Igor Amorelli fez, de estar entre os melhores do mundo no Ironman, por exemplo, é praticamente um milagre. A gente tem que quebrar tudo, todo dia e acreditar mais que tudo. Os jovens têm que saber que vai ser um diferencial se eles seguirem o caminho da atividade física, treinar uma modalidade que eles gostem e acreditar. Procurar uma bolsa aqui no país que tem crescido muito ou fora. Se o sonho do jovem for ser atleta, ele tem que seguir o sonho. Independente do meio ambiente que ele estiver inserido.

 

A corrida Asics Golden Run 21k aconteceu na capital mineira no último final de semana e contou com a participação de 2.600 atletas. O calendário de eventos de BH está agitado nos próximos meses com eventos em setembro, Corrida da Itatiaia (23); outubro,  Na praia Run Tri (07), Corrida e Caminhada Feminina Mcdonald’s (21), Corrida e Caminhada Ciências Médicas (27); novembro Circuito das Estações (25), além da tão esperada 20ª volta da Pampulha que acontecerá dia 09/12 e já está com inscrições abertas!

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