Alimentação

Como aderir ao movimento slow food?

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O fast food é caracterizado por 2 fatores: comidas baratas e com sabor. Contudo, com o avanço do estilo de vida consumista, até a culinária perdeu certos atributos que garantem uma experiência com a alimentação. Considerado uma oposição a esse modo de consumo, o slow food surge como uma resposta ao jeito que as pessoas realizam suas refeições.

Isso porque o slow food foca na qualidade do alimento e no prazer sensorial, ou seja, é o modo que se relaciona com a comida para além de uma refeição para sobreviver. Essa é uma das características desse movimento, que surgiu na Itália na década de 80 como resposta ao método de viver, e você confere mais sobre o assunto a seguir.

O que é e como funciona o slow food?

O slow food pode ser considerado uma resposta ao que estava acontecendo no mundo e que reverbera até hoje: o modo de vida na sociedade de consumo. O excesso não está apenas na compra de produtos, mas sim na alimentação e nos processos que levam o alimento até a mesa, sendo assim, ele é um movimento que olha desde a produção do alimento até a maneira que você come.

Ele também é uma proposta que leva em consideração outros fatores que vão além do sabor e do produto final, como prazer sensorial, relações interpessoais e o alimento como fonte de socialização. É possível enxergar esse estilo de vida como oposição ao fast food, pois o objetivo não é comer rápido e de qualquer jeito.

Outra característica é que o slow food tenta resgatar as formas tradicionais de consumir e de se relacionar com o alimento, assim, as refeições são feitas de um jeito mais consciente, ou seja, não é para comer andando, em frente ao computador ou televisão. 

O estilo alimentar também foca em fatores durante o processo da cadeia de produção, logo, a base não é apenas o produto final, mas sim as relações com o produtor, meio ambiente e o modo que se come o alimento. Essa relação é tão intrínseca que existem 3 adjetivos que caracterizam todo o processo. São eles:

Alimento bom

É um alimento bom de sabor e de qualidade, ou seja, é uma refeição gostosa, bonita e, consequentemente, natural.

Alimento limpo

O alimento limpo não é necessariamente no sentido higiênico, mas sim ecológico. Ele tem produção não poluente e não agressiva, por isso fala-se de produtos regionais e saudáveis para o planeta, pois não o agride.

Alimento justo

O alimento justo é aquele que é positivo para o produtor e o consumidor final, ou seja, é o preço que está em destaque. O produtor recebe de forma justa pelo alimento produzido e o consumidor paga de acordo com o produto.

Os 3 conceitos acima estão inseridos na ecogastronomia. Ela olha para vários aspectos, sendo eles: a produção do alimento (amigável ou não para o meio ambiente), o produtor (recebe preço justo pelo seu produto) e se é local ou não (se for importado, percorre muitos quilômetros, tem gasto com combustível e emite poluentes).

Quais são os impactos e benefícios do slow food?

Ao tratar o slow food, o foco é na conscientização dos processos e na mudança de estilo de vida, ou seja, faz sentido pensar na cadeia de produção e quais são os impactos e benefícios na vida de todos ao adotar os hábitos desse movimento. São eles:

1. Conscientização

Você não come o alimento, somente. O slow food tem preocupação com o processo que levou a refeição até a mesa, dessa forma, você também precisa pensar nos caminhos que aquela comida percorreu para chegar na sua mesa.

É de um produtor local ou da cultura local? É amigável com o meio ambiente? Aqui, não importa somente o custo, mas sim se o processo da produção é saudável para o planeta e para as pessoas que estão cuidando do processo e, é importante também, que chegue até você uma refeição saborosa e justa para todos da cadeia!

2. Mudança de hábitos

Se você fala do movimento slow food, não tem como escapar da mudança de hábitos, até porque esse estilo tem preocupação com o modo que consome e come.

As rotinas do mundo moderno adaptaram excessivamente o jeito que as pessoas se alimentam, então é comum comer no carro, no sofá, no quarto, na frente da televisão e até andando. Tais hábitos afastaram as pessoas da tradição, que seria comer reunido com as pessoas, sem distração da tecnologia.

A comida ainda pode ser o centro de uma ação social (comer ao redor da mesa, por exemplo). Ela pode ser o elo principal para que os momentos de lazer e qualidade de vida existam, sendo assim, você percebe que as refeições vão além da sobrevivência.

3. Desenvolvimento de cultura

Tudo é cultura, e estar atento na cadeia de produção é um fator para desenvolver esses laços. A comida está além de um prato feito, ela é a escolha dos ingredientes aliados a um preparo. Isso é ainda mais potente quando se junta cultura local com ingredientes locais, dessa forma, é possível comer bem e com refeições típicas onde se vive.

Esse impacto é importante, pois o movimento foca na regionalidade, ou seja, escapa um pouco do estilo de vida global que é divulgado na vida moderna. Assim, é possível comer diferente, sem gastar muito e ainda respeitando o meio ambiente!

4. Produção sustentável

Não faz sentido matar o planeta para produzir alimento. Agrotóxicos, poluentes e devastação da biodiversidade, esse modelo de produção em massa destrói o meio ambiente para que refeições baratas estejam na sua mesa.

Em adição, o uso excessivo de conservantes precisam diminuir, ainda mais pelo excesso de produtos industrializados, com baixo teor nutricional e excesso de carboidratos. No fim, essas opções mais acessíveis custam caro para o planeta!

O slow food está aliado à agroecologia, outro movimento que pensa na produção sustentável e de acordo com a demanda, ou seja, o ritmo da natureza é respeitado e não é necessário colocar conservantes nos alimentos para que eles durem, nem aromatizantes para ficar agradáveis. Ele é uma construção coletiva que respeita os povos locais e culturas locais!

Como aderir ao movimento slow food?

O slow food não é uma realidade cara, é uma alternativa ao consumo insustentável que o mundo vive por causa da globalização e consumismo, sendo assim, é possível pesquisar, conhecer e se adaptar a um novo estilo de vida. E para isso acontecer, basta se organizar.

Comer devagar é positivo e esse estilo de vida vai te ensinar meios para isso, mas para fins de conhecimento você pode seguir as dicas abaixo.

Em casa: reserve um tempo para comer e não leve problemas para resolver, ou seja, sem telefone ou outro dispositivo eletrônico. Também seria ideal comer devagar e com tempo hábil, ou seja, tenha um horário para se alimentar e se acostume a comer em um ritmo diferente.

Fora de casa: evite fast foods, industrializados e restaurantes movimentados. Escolha restaurantes locais ou que tenham produtos artesanais e orgânicos, pois é bem possível que eles sejam bons, limpos e justos.

Lembre-se que o slow food defende causas sociais e protege a biodiversidade, dessa forma, não ache que é apenas comer bem e barato, é preciso rever hábitos para que você também faça a sua parte para um mundo melhor!

Referência

Movimento Slow Food e a Agroecologia

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