O sedentarismo, é hoje um dos maiores desafios para a saúde no mundo moderno. Fatores como a rotina corrida, o excesso de tempo sentado em frente a telas e a falta de movimentos fazem com que ele esteja cada vez mais presente no estilo de vida da rotina global.
Em 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma pesquisa que revelou um dado preocupante: Cerca de 1,8 bilhão de pessoas são sedentárias, número que, em 2022, representava 31% de toda a população adulta do planeta. Essa projeção indica que, se essa tendência continuar, o índice de inatividade poderá alcançar a marca de 35% até 2030.
Com números cada vez maiores, fica clara a necessidade de entender como se deve combater o sedentarismo. A seguir, veja os riscos dessa condição à saúde e aprenda a contorná-los o quanto antes.
Você sabe o que é sedentarismo?
Cansaço constante, falta de ânimo para treinar e a sensação de estar sempre sem energia. Você se identifica com esses sinais no seu dia a dia? Esses são indícios de um estilo de vida sedentário.
De acordo com a OMS, o sedentarismo é caracterizado pela ausência ou baixa prática de atividade físicas regulares. Também, é definido como um hábito que, no dia a dia, envolve gastar muito tempo em atividades que não dissipam energia – basicamente, viver em repouso.
Esse comportamento, quando mantido ao longo do tempo e sem intervenções, está diretamente associado ao aumento do risco de doenças crônicas, como diabetes e obesidade, e à redução da qualidade de vida. Isso acontece pois a falta de movimento impacta o funcionamento do corpo, prejudicando a disposição, a saúde do coração e até mesmo a saúde mental.
Quais são os riscos do sedentarismo?
O avanço da tecnologia e as mudanças no estilo de vida transformaram a forma como se trabalha, estuda e se diverte. Hoje, é possível resolver quase tudo sem sair do lugar: pedir comida, fazer compras, assistir filmes, conversar com amigos e até trabalhar, tudo pela tela de um dispositivo conectado à internet.
Essa praticidade (tentadora, inclusive!) cria um cenário onde o corpo se movimenta cada vez menos. E quanto menor o nível de mobilidade, maior a chance de desenvolver problemas que afetam a qualidade de vida e o bem-estar.
Por isso, entender as consequências desse estilo de vida pode te ajudar na conscientização para construir uma rotina mais equilibrada, a fim de evitar que possíveis danos e riscos aconteçam. A seguir, veja o que o sedentarismo pode causar em você, caso não seja controlado:
Depressão e ansiedade
Problemas como depressão e ansiedade podem levar a pessoa a se isolar e reduzir a prática de atividades físicas, o que contribui para o sedentarismo. Esse ciclo de inatividade tende a agravar ainda mais a instabilidade emocional, principalmente se o sujeito viver com a primeira condição citada.
Por outro lado, manter-se ativo ajuda a proteger a saúde mental. Realizar exercícios de forma regular estimula a liberação de endorfina e serotonina (hormônios ligados ao bem-estar), além de reduzir os níveis de cortisol, que é responsável pelo aumento da ansiedade e do estresse.
Nesse caso, o ideal é movimentar o corpo com atividades simples, cerca de 30 minutos, 4 vezes por semana (no mínimo).
Diabetes tipo 2
O sedentarismo diminui a sensibilidade do corpo à insulina, que é o hormônio responsável por controlar a quantidade de açúcar no sangue. Com isso, a glicose tende a se acumular na corrente sanguínea, ajudando no desenvolvimento de diabetes tipo 2.
Além disso, a inatividade favorece o armazenamento de tecido adiposo, principalmente na região abdominal. Esse tipo de acúmulo libera substâncias que estimulam processos inflamatórios e dificultam ainda mais a ação do hormônio responsável por regular os níveis de glicose no sangue, criando um ciclo que potencializa a resistência insulínica.
Doenças cardíacas
A falta de movimento prejudica a circulação sanguínea, que deixa de ser bombeada de forma eficiente pelo corpo. Esse quadro favorece o acúmulo de gordura nas artérias (quando aliado a outros hábitos nocivos) e pode elevar a pressão arterial, aumentando significativamente o risco de hipertensão, infarto e AVC.
Mortalidade precoce
De acordo com a pesquisa The dangers of physical inactivity revisited in 45-year study (2016) – um estudo iniciado em 1963 e acompanhado por 45 anos – relaciona indivíduos com baixo nível de atividade física ao aumento da mortalidade precoce.
Isso acontece porque a inatividade está ligada a uma série de doenças crônicas que, quando não controladas, comprometem a saúde de forma significativa.
Portanto, tenha em mente que se manter ativo é uma das formas mais simples e eficazes de prolongar a vida com qualidade (e claro, disposição!).
Obesidade
Quando o gasto calórico é menor do que a quantidade de energia consumida, o corpo armazena o excesso em forma de “gordura localizada”. Em um estilo de vida sedentário, esse desequilíbrio se torna ainda mais frequente, facilitando o ganho de peso.
Entre as sequelas mais comuns temos distorção de imagem, fadiga crônica, compulsões e/ou distúrbios alimentares, além da redução da mobilidade.
A obesidade não é apenas uma questão estética, ela aumenta o risco de doenças crônicas e pode gerar complicações sérias quando não tratada. Combater o sedentarismo é, portanto, essencial para proteger a saúde!
Osteoporose
A ausência de atividade física enfraquece os ossos e músculos, reduzindo a resistência corporal. Com o tempo, essa fragilidade aumenta o risco de osteoporose, doença que deixa os ossos mais porosos e suscetíveis a fraturas.
Além disso, o sedentarismo favorece dores musculares e sobrecarga nas articulações, especialmente quando se passa muito tempo sentado ou deitado em posturas incorretas.
Como evitar o sedentarismo e ter mais qualidade de vida?
É evidente que o sedentarismo pode afetar o bem-estar de maneiras profundas. Mas, para manter uma rotina mais ativa, não é preciso adotar fórmulas mirabolantes ou mudanças radicais. Pequenas atitudes no dia a dia já podem fazer uma grande diferença na sua saúde física e mental!
Uma caminhada leve, breves alongamentos e outras atividades podem ser o pontapé inicial para que mude, aos poucos e no seu ritmo, o estilo que vive.
Com simples ajustes, é possível reduzir os efeitos negativos e conquistar mais disposição e qualidade de vida. Abaixo, confira algumas estratégias eficazes que podem te ajudar a sair da inércia e construir uma rotina mais saudável:
1. Use escadas ao invés de elevador
Sempre que possível, opte pelas escadas no lugar do elevador. Essa simples troca ajuda no gasto calórico, estimula os músculos das pernas e melhora a resistência física. É uma forma rápida e prática de movimentar o corpo ao longo do dia.
2. Invista na caminhada
A caminhada é uma das formas mais simples e acessíveis de combater o sedentarismo. Aproveite pequenas oportunidades no seu dia: vá ao mercado a pé, desça um ponto antes do seu destino, leve o pet para passear ou faça pausas rápidas para se movimentar.
Caso seja possível, no seu tempo livre, tire alguns minutos para andar sem pretensão, apenas para evitar ficar parado!
3. No trabalho, faça ginástica laboral
Se você passa horas sentado, adote pequenas pausas para alongar braços, pernas, pescoço e costas. A ginástica laboral ajuda a melhorar a postura, ativa a circulação e alivia dores musculares causadas pelo sedentarismo. Dedicar alguns minutos para se movimentar durante o expediente pode fazer diferença na sua saúde!
Uma dica é definir um intervalo a cada hora para realizar essa atividade.
4. Mantenha uma alimentação equilibrada
Além de manter o corpo ativo, cuidar da alimentação é essencial para combater os efeitos do sedentarismo. Consumir frutas, verduras, proteínas magras e evitar excesso de açúcar e alimentos ultraprocessados ajuda a controlar o peso, reduzir gordura e fornecer energia para se movimentar.
Para isso, organize o modo que se relaciona com a comida, a fim de evitar refeições industrializadas e/ou congeladas.
5. Se possível, pratique algum exercício
Ainda de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a recomendação é de “pelo menos 150 minutos a 300 de atividade física de moderada intensidade por semana (ou atividade física vigorosa equivalente) para todos os adultos”.
Não precisa começar com treinos longos ou intensos. O ideal é escolher uma atividade que se encaixe na sua rotina, como pedalar, dançar, nadar, fazer exercícios em casa ou jogar bola. Vá devagar e aumente a intensidade aos poucos, o importante é transformar o movimento em um hábito constante!
Comece a superar hoje o sedentarismo!
O sedentarismo pode afetar sua saúde de várias formas, mas a boa notícia é que é possível contornar o problema. Não se trata de mudanças radicais, e sim de pequenas atitudes que, com consistência, geram grandes resultados.
Não pense que mudanças bruscas vão trazer soluções milagrosas. Para melhorar a qualidade de vida e ter uma rotina saudável, faça aquilo que caiba na sua agenda, respeitando seus limites.
Além de prevenir doenças, hábitos simples podem melhorar sua disposição, aumentar sua energia, equilibrar o humor e até favorecer a qualidade do sono. Dar o primeiro passo é o que realmente importa!
Referências
DIRETRIZES DA OMS PARA ATIVIDADE FÍSICA E COMPORTAMENTO SEDENTÁRIO
OMS lança novas diretrizes sobre atividade física e comportamento sedentário
Sedentarismo ameaça cerca de 1,8 bilhão de pessoas no mundo, diz estudo
