Quando se fala em saúde do cérebro, logo se pensa em memória, atenção e raciocínio. Mas o funcionamento desse órgão vai muito além disso: ele é responsável também pelas emoções, comportamentos e até mesmo pela qualidade de vida.
O problema é que, muitas vezes, hábitos e atitudes diárias, que parecem inofensivos, acabam prejudicando o desempenho cerebral de forma silenciosa e gradual, além de causar dificuldades cognitivas e/ou emocionais.
Diante disso, convidamos o neurologista Ivar Brandi para explicar como é possível evitar esses impactos e o que é fundamental para manter uma boa saúde do cérebro. Acompanhe!
Por que se preocupar com a saúde do cérebro?
O cérebro é um dos órgãos mais importantes do corpo humano, sendo responsável por controlar funções essenciais, como pensamento, emoções e movimentos.
Uma boa saúde do cérebro permite que a pessoa alcance seu pleno potencial ao longo da vida, adaptando-se às mudanças e lidando com desafios. Segundo o neurologista Ivar Brandi, ele é fundamental para o estado de saúde física, mental e social, sendo um grande mediador das nossas experiências.
Para Brandi, é importante compreender que o funcionamento cerebral depende de três bases:
- Biológica: envolve os aspectos neurobiológicos, genéticos e neuroquímicos.
- Social: diz respeito às interações e relações do indivíduo.
- Psíquica: está relacionada ao estado emocional e mental da pessoa.
Ou seja, preocupar-se com a saúde do cérebro é essencial, afinal, ele controla desde funções básicas até processos complexos do organismo, impactando diretamente a qualidade de vida.
Os hábitos que afetam a saúde do cérebro e que talvez você não saiba
Uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (2022) apontou que, a cada três pessoas, uma vai desenvolver algum tipo de distúrbio neurológico em algum momento da vida.
Para Ivar Brandi, um bom funcionamento cerebral não depende apenas dos fatores genéticos ou das doenças que possam se desenvolver ao longo da vida. Pelo contrário, o comportamento humano tem uma relação direta com o desempenho desse órgão tão importante.
Hábitos do dia a dia, aparentemente inofensivos, podem estar prejudicando a saúde do seu cérebro. Atitudes simples, como o que você come, a qualidade do seu sono e até como lida com o estresse, podem ter um impacto significativo no bem-estar mental.
Ainda, o profissional explica que, ao longo dos anos, é necessário adotar diferentes estratégias para proteger o cérebro de agressões – como fatores ambientais, doenças ou outras condições que possam afetar seu funcionamento. “As medidas para a promoção da saúde cerebral devem ser dinâmicas e devem mudar ao longo da vida, desde a infância até a senilidade”, afirma.
Uso excessivo de telas
No momento atual em que vivemos, somos constantemente bombardeados por inúmeras informações. As notificações dos dispositivos eletrônicos, o consumo de conteúdo nas redes sociais e a necessidade de realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo são exemplos disso. Sendo assim, nosso cérebro é constantemente estimulado, sem tempo para descanso, criando um cenário em que as pessoas estão cada vez mais expostas ao uso excessivo de telas, o que, muitas vezes, passa despercebido.
De acordo com o profissional, quando falamos sobre o uso de telas, deve-se sempre fazer uma análise individualizada. “O impacto disso varia conforme o contexto. Para quem trabalha com telas, os riscos incluem problemas visuais e posturais. Já o consumo de redes sociais em excesso pode gerar déficit de atenção e fadiga mental, devido aos estímulos rápidos e superficiais”, explica.
Estresse no ambiente de trabalho
Outro grande fator que afeta a saúde do cérebro é o trabalho. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social (2025), no ano passado, cerca de meio milhão de afastamentos ocorreram devido ao estresse nesse ambiente – o maior número registrado nos últimos dez anos.
Segundo Brandi, além das cobranças excessivas, jornadas longas e relações abusivas, fatores como ausência de vínculos sociais, descanso e lazer também contribuem para o adoecimento cerebral.
Além das situações mencionadas, o neurologista Ivar Brandi cita outros hábitos que prejudicam a saúde do cérebro:
- Ingestão excessiva de bebidas alcoólicas.
- Tabagismo.
- Privação de sono.
- Situações que geram estresse e ansiedade.
- Alimentação inadequada.
- Exposição excessiva a poluentes ambientais.
- Falta de atividades que estimulem a mente.
- Depressão.
- Sedentarismo.
O que fazer para manter a saúde do cérebro em dia?
Ao contrário do que muitos imaginam, para manter a saúde do cérebro em dia não é necessário recorrer a suplementos caros ou medicamentos. A chave para uma mente saudável está em construir uma rotina equilibrada, seguindo hábitos saudáveis que promovam o bem-estar físico, mental e social.
Segundo Ivar Brandi, praticar atividades físicas regularmente, adotar uma dieta balanceada e garantir uma boa noite de sono são os pilares principais para a saúde cerebral.
Além dessas questões, o profissional também deixa outras dicas essenciais para manter o cérebro saudável:
1. Estimule o cérebro com atividades desafiadoras
Manter a mente ativa é crucial para preservar suas funções cognitivas. Aprender algo novo, seja um idioma, um instrumento musical ou uma habilidade, desafia o órgão e fortalece as ligações cerebrais. Além disso, atividades como leitura, quebra-cabeças e jogos de lógica são excelentes para exercitar o raciocínio.
2. Cultive relacionamentos significativos
A interação social tem um grande impacto na saúde mental e cerebral. Manter relacionamentos sólidos e com vínculos afetivos profundos ajuda a reduzir o estresse e melhora o bem-estar emocional. Ou seja: a socialização atua como protetor para o cérebro!
3. Evite hábitos nocivos
Tabagismo e o consumo excessivo de álcool são inimigos do cérebro. Esses hábitos podem acelerar o envelhecimento cerebral e afetar funções cognitivas essenciais. Por isso, evitar esses comportamentos é fundamental para garantir um funcionamento cerebral saudável a longo prazo.
4. Encontre um propósito de vida
Ter um propósito é fundamental, tanto para a saúde do cérebro, quanto para o bem-estar. Assim, busque algo que dê sentido à sua vida – seja aprender uma nova habilidade, viajar ou até cuidar do seu animal de estimação. O importante é manter o cérebro ativo e motivado!
A Academia Americana de Neurologia recomenda o check-up cerebral anual a partir dos 50 anos de idade. Entretanto, segundo Brandi, em alguns casos ele pode ser antecipado. “Caso você apresente dificuldades com atenção, memória, sono ou mudanças de comportamento, é fundamental realizar uma avaliação neurológica – especialmente se houver histórico familiar de doenças neurodegenerativas”, destaca o profissional.
Para finalizar, o neurologista deixa um recado. “Cuidar do corpo é também cuidar do cérebro”, recomenda. Então, que tal começar hoje mesmo a priorizar a saúde desse órgão tão importante? Afinal, pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença no seu bem-estar a longo prazo!
Sobre o profissional
Ivar Brandi é médico neurologista, com mestrado em Medicina e Saúde pela UFBA e pós-graduação em Neurociências e Comportamento pela PUC-RS. Atua em neurologia clínica, neurorreabilitação, além das áreas de Neurologia da Cognição e do Comportamento e Neuropsiquiatria. Ao longo de sua carreira, dedicou-se à neuroreabilitação, tanto no atendimento direto aos pacientes quanto na gestão de hospitais e equipes especializadas. É também palestrante em escolas e empresas, com foco na divulgação de conhecimentos científicos sobre saúde mental e neurociências. Seus hobbies incluem fotografia, prática de atividade física, música e viagens. Sua maior paixão é a neurociência, com um forte compromisso em divulgar o conhecimento científico para promover a saúde e melhorar as relações sociais.
Referência
Optimizing brain health across the life course: WHO position paper
