Práticas esportivas

É possível praticar com segurança a musculação durante a gravidez?

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A busca pela rotina saudável e ativa é cada vez mais recorrente nos tempos atuais. Essa procura abrange a todos e em diversas fases da vida, mas existe um momento em que esse objetivo se torna ainda mais urgente: a gestação. O desafio nesse ponto é que, de um lado estão as gestantes e seus desejos de manterem o ritmo nesse período e, do outro, diversos tabus e desinformações sobre a possibilidade de se fazer musculação na gravidez com segurança e bons resultados.

De acordo com Taiana Lohmann, educadora física, ex-atleta e também mãe, esse tabu existe pela falta de informação das pessoas com relação aos benefícios da prática do exercício e também pela falta de entendimento de que existem várias formas de treinamento na musculação. “Por incrível que pareça, pessoas ainda têm a visão de musculação como esporte dos “bombados e sarados”, sem conhecer os reais benefícios desta modalidade à saúde, de qualquer fase ou idade, desde que executada da forma correta. Portanto, é possível fazer musculação na gravidez desde que seja estabelecido uma estratégia específica para o período gestacional.”, revela.

Porque fazer musculação na gravidez?

A profissional explica que quando realizada da forma correta, os benefícios que a mulher pode obter com a musculação durante a gravidez são inúmeros, como a manutenção da força e tônus muscular, manutenção do peso da gestante e também do bebê, regulação de indicadores de saúde como taxas metabólicas, glicemia, colesterol e precaução com relação à diabete gestacional e até mesmo agir para evitar ou minimizar os efeitos da depressão pós-parto. “Sabemos que existem mudanças no corpo da mulher, como o aumento da barriga à medida que o bebê desenvolve e das mamas, para a amamentação. Sendo assim, é fundamental o fortalecimento estrutural da mulher para evitar dores nas costas e demais dores articulares devido ao ganho natural de peso, que faz parte do processo gestacional.”, complementa Taiana.

Com tantas vantagens fica clara a necessidade de se manter em movimento também na gestação. Mas mesmo com os inúmeros prós, existem alguns cuidados a serem tomados e o principal deles é a liberação médica para a prática de exercício físico. “Outros aspectos a serem observados são os posturais. Evitar exercícios que contraem o abdômen ou trabalhem sua hipertrofia, já que no crescimento do bebê a tendência é o alongamento demasiado desta musculatura. Se ela for extremamente forte e hipertrofiada, existe a possibilidade de uma diástase exacerbada ou mesmo de um surgimento de hérnia umbilical.”, reforça a personal.

Para cada fase, uma necessidade!

Assim como cada mulher tem sua individualidade, a gestação também tem peculiaridades em suas fases. Tudo isso resulta em uma mudança gradual de treinos de acordo com as etapas, levando sempre em conta os indicadores de saúde da gestante e sua disposição, pois além de trabalhar na sua parte fisiológica, também atua no seu emocional.

Primeiro trimestre

Período em que o feto está se formando e se fixando no corpo da mulher. Nessa fase é comum que a futura mãe tenha enjoos e se sinta mais sonolenta, menos ativa, justamente para guardar a energia para o bebê se formar. É uma época onde tudo é novo e não é indicado pra quem nunca fez exercício querer virar atleta!

Segundo trimestre

Quando não há complicações essa é a fase em que a atividade está liberada, pois os enjoos passam e o surgimento da barriga começa. Neste momento é fundamental que a mulher se preocupe em preparar o corpo para o terceiro trimestre a nível muscular: fortalecendo assoalho pélvico, mantendo o tônus muscular e alternando a atividade de força com o trabalho aeróbico.

Último trimestre

Nos três últimos meses de gravidez, toda a disposição do segundo trimestre tende a desaparecer. A barriga cresce muito, a mobilidade diminui, o centro de gravidade da mulher sofre grande alteração, podendo até gerar muitos desconfortos lombares. Como ela está moldando o seu corpo, principalmente alargando seu quadril para a passagem do bebê, exercícios de agachamento, ou de impacto não são indicados, pois exigem grande sustentação muscular e ligamentar e o corpo pode estar no limite!

Rotina ativa com segurança garantida

Os principais pontos para manter as atividades físicas durante a gravidez são também comuns às outras pessoas: planejamento e força de vontade. Para Taiana, a ideia é fazer o que proporcione bem-estar e isso também vale para alimentação, roupas confortáveis e exercícios que sejam agradáveis, sempre prescritos por profissionais que acompanhem o estilo de vida da mulher e as peculiaridades de cada gravidez. “O papel dessa indicação é do profissional de educação física juntamente com sua médica obstetra. Primeiro precisa ser analisado o histórico muscular e atlético de cada mulher gestante. O que é novo e radical, de alto impacto e grande intensidade deve ser evitado. Exercícios de instabilidade ou que não tenham um ambiente controlado ou de grande sobrecarga não são indicados, visto à frouxidão ligamentar que o corpo tende a ter de forma natural para o remodelamento estrutural e adequações físicas do corpo.”, alerta.

Cuidados para fazer musculação na gravidez!

O tempo e a intensidade da musculação durante a gestação variam de acordo com a individualidade de cada mulher, mas, segundo Taiana, o indicado é que a atividade seja de intensidade leve a moderada, aproximadamente 4 vezes por semana, de 30 a 60 minutos. “Mas o treinamento não é receita de bolo. Pois somos todas diferentes. Então, melhor do que falar de quantidade de séries e repetições, carga a ser colocada e tempo de intervalo, falaria no bem-estar da mulher, manutenção de tônus e força muscular, dos indicadores da saúde, na sua autoestima. O resto a gente resolve depois que o beber nascer, pois passa tão rápido.”, tranquiliza a profissional.

Portanto, para as mulheres que estão grávidas e não querem deixar de fazer musculação na gravidez, Taiana explica que é preciso ter cautela nos casos em que a mulher possui alguma alteração na saúde, como doenças cardiovasculares. Já para as que não têm contraindicação, a dica de ouro é investir em um acompanhamento multidisciplinar que tenha convergência entre o médico, personal, fisioterapeuta e até psicólogo. “A saúde em dia, com exercícios físicos orientados de forma correta, alimentação ideal, cuidados corporais como massagens e ainda com uma preparação emocional para o que há de vir, acredito que seja a receita do sucesso durante e após a gravidez.”, finaliza a atleta que, como mãe, sabe da importância de viver essa fase de forma única, sem deixar de fazer o que gosta, respeitando a saúde e seus limites, incluindo a pausa nos treinos, caso seja necessário.

Conheça a profissional

Treinadora TaianaTaiana Lohmann é professora de educação física e ex-atleta profissional de atletismo. Teve uma bebê no meio da sua carreira esportiva e voltou a competir meses depois após o nascimento de sua filha. Hoje, ajuda outras mamães a cuidarem da sua saúde no antes, durante e pós gravidez!

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