Qualidade de vida

Saiba como lidar com o medo no esporte

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Que o esporte melhora a qualidade de vida e transforma os hábitos de quem o faz, já é um fato considerado e reafirmado por profissionais e praticantes. Mas, para além dos benefícios inerentes à atividade física, há também um outro fator que pode ser despertado no corpo e na mente durante a prática: o medo no esporte.

Segundo a psicóloga e atleta amadora Liliam Morais Machado, o medo é um estado emocional que gera a sensação de nervosismo, apreensão, desconforto, tensão, insegurança, perturbação e desespero em todo ser humano, em diversas situações do cotidiano. Sendo assim, todo indivíduo já sentiu medo diante de alguma circunstância, inclusive no esporte.

A prática esportiva (seja ela de alto rendimento ou apenas atividades físicas de tempo livre), carrega consigo alguns anseios comuns, como o medo de não atingir as metas propostas no exercício, não alcançar os resultados no tempo hábil, não conseguir ter desempenho físico e emocional necessário (ou manter o que é exigido), se machucar na execução e ser afastado das funções e, em casos de atletas de alto rendimento, até mesmo perder os patrocínios. “Nessa perspectiva, o medo pode levar muitas vezes o atleta a desistir das competições e até abandonar o esporte, se aposentando antes da hora, por não saber lidar com as exigências impostas.”, alerta a psicóloga.

O medo na vida do atleta pode resultar em comportamentos de fuga ou luta, ou seja, o faz prosseguir ou desistir de algo, pois está associado ao instinto de sobrevivência. Desta forma, no esporte, as emoções agem como reguladoras das ações e com isso, faz-se necessário entender como cada indivíduo particularmente reage às situações que fomentam esse sentimento para compreender se ele o abordará fugindo e se esquivando da ocasião ou usando o sentimento como motivação no enfrentamento da luta pelos seus objetivos. “A ansiedade se trata de uma força interna que gera sofrimento por antecipação, sendo uma das principais variáveis no desempenho do atleta, e é ela que também produz o medo. O medo quando não bem administrado limita ou inibe as ações do indivíduo, paralisando-o ou o congelando frente aos movimentos que o esporte exige, e assim propiciando outros fatores emocionais que afetam a saúde física e mental do esportista.”, esclarece Liliam.

Há algo de bom no medo?

Para a psicóloga, o medo é um sentimento negativo, porém, se racionalizado de maneira adequada, proporciona a pessoa o enfrentamento do resultado que almeja alcançar, tornando-o positivo também. Isso é, quando se realiza uma reflexão sobre esse sentimento, ele pode produzir comportamentos satisfatórios de luta frente à meta proposta. “O medo não é um sentimento exclusivamente negativo, visto que ele se torna positivo no momento em que o atleta passa a pensar e compreender os possíveis riscos inerentes na prática das atividades que o esporte pode causar, prevenindo possíveis acidentes. Além disso, ele também fomenta uma ação competitiva.”, explica Liliam.  

O medo, portanto, está presente em todos os atletas, pois é uma emoção inevitável diante de qualquer ação que exige desempenho físico e emocional satisfatório, seja qual for a área da vida. Mas o atleta pode usá-lo também como um auxílio, o que significa não ser uma estratégia inteligente eliminá-lo por completo e, sim, trabalhá-lo de maneira peculiar em cada indivíduo, observando como ele lida com as situações adversas frente ao esporte, e ensinando-o a manter o controle deste sentimento.

O medo no esporte

De acordo com Liliam, o atleta quando vivencia o medo pode entrar no estágio de congelamento, ou seja, paralisar diante de uma situação e não executar o que treinou. Sendo assim, faz-se necessário trabalho psicológico para enfrentar essa adversidade de maneira positiva e adequada.

A principal dica para isso é fazer um trabalho de acompanhamento com psicólogo, de preferência especializado na área do esporte. Assim, o trabalho visará as demandas psicológicas do esportista a fim de que ele aprenda a compreender as emoções e sentimentos e como se comporta perante eles, entendendo as situações, o motivo e quando surgiram. Dessa forma, é possível saber como agir em momentos específicos de treinos e competições, possibilitando ter um bom desempenho emocional diante do esporte e como consequência, uma excelente atuação física.

A especialista reforça ainda que o medo é inevitável e que todos os atletas irão, em algum momento, experimentá-lo. A diferença aqui é como lidar com ele de forma que não se torne prejudicial ao desempenho, ou seja, como externalizar o medo: fugindo ou lutando, prosseguindo ou desistindo. “Pra que isso seja positivo faz-se necessário trabalho conjunto com psicólogo, visando a aprendizagem das próprias emoções e como controlá-las. Assim é possível entender e compreender suas emoções para lidar de maneira mais positiva frente às adversidades inerentes do esporte. Direcionar o sentimento de medo para a execução de uma ação positiva e não negativa, ou seja, produzir com ele a motivação e não a desistência.”, afirma Liliam, que também defende o uso de técnicas para trabalhar a ansiedade como relaxamento, respiração diafragmática e diversas outras estratégias pensadas individualmente para cada caso.  

Movimentando o medo

Uma das formas de cuidar da saúde mental e deixar a cabeça mais tranquila, livre de ansiedade e medo é a prática de atividades físicas. No caso de esportistas de alto rendimento também não é diferente, o que se pratica não só é trabalho, é também lazer e saúde. Assim, é evidente que o segredo do sucesso de um atleta não se dá apenas necessariamente pelo seu bom desempenho físico, e sim, pelo seu controle emocional.

Liliam reforça, que na Teoria Cognitiva Comportamental entende-se que existem três pilares que direcionam a vida: os pensamentos, os sentimentos e os comportamentos. A forma como se pensa diante de qualquer ocasião, origina os sentimentos e desencadeia os comportamentos e este reforça novamente os pensamentos, é um ciclo. Portanto, para a compreensão e aprendizagem desse processo, faz-se necessário o acompanhamento profissional, visto que no esporte o seguimento é o mesmo, ou seja, a maneira como o atleta lida com as emoções, provocam as suas ações. “O medo é um sentimento naturalmente inevitável em qualquer situação que exige uma performance satisfatória, e o que diferenciará o desempenho positivo do indivíduo mediante o sentimento em pauta é o aprendizado em lidar adequadamente com ele, o direcionamento deste para o engajamento da prática esportiva e consequentemente o controle emocional e desempenho físico eficaz”, finaliza.

Conheça o profissional

psicóloga do esporte LiliamLilliam Morais Machado é psicóloga, formada pela UNIGRAN – Dourados/MS. Já atuou como docente de psicologia para o antigo programa do governo federal PRONATEC, na psicologia social e comunitária, na psicologia clínica e atualmente como psicóloga geral da APAE de Nova Alvorada do Sul/MS. Pratica atividade física em seu tempo livre, especificamente a corrida, na qual se prepara para participar de futuras competições do esporte.

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