Para se inspirar

O ciclismo devolveu a vontade de viver a Gustavo Tadeu

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Os primeiros hábitos começam a ser desenvolvidos na infância, muitas vezes por influência de pessoas que convivem ao redor da criança. Com o ciclista Gustavo Tadeu, 35 anos, não foi diferente. O incentivo que ele encontrou na família e na escola foram decisivos para que ele começasse a praticar esportes

Gustavo começou aos 5 anos, brincando de vôlei com os irmãos e as primas. O ambiente ao seu redor parecia colaborar para que ele estivesse sempre em movimento. “Na década de 90, houve um boom de filmes sobre esportes. Então, eu assistia e em seguida corria para brincar sobre o esporte que passava nos filmes. Lembro também que as Olimpíadas eram um evento máximo para mim. Eu via uma modalidade e depois ia praticar na rua. No Ensino Médio, tive um professor que apresentava esportes diferentes. Suas aulas eram bem completas, ele falava das regras e táticas. Isso tudo me cativou a gostar de praticar esportes.”, conta o atleta.

Da cura do corpo ao equilíbrio da mente 

Em meio à sua paixão pela prática esportiva, Gustavo viu sua vida mudar completamente após um grave acidente. “Eu estava na semana do meu aniversário de 16 anos quando, jogando futebol, me machuquei gravemente e rompi os ligamentos do joelho. Ao passar por um tratamento falho, fiquei com uma deficiência física na perna por uns dois anos. Isso me obrigou a parar de praticar os esportes que eu tanto amava. Então, fui orientado por um fisioterapeuta a praticar ciclismo como forma de cura e tive bons resultados.”, relata. 

Foi a partir dessa dificuldade de locomoção que ele encontrou no ciclismo forças para reequilibrar corpo e mente. “A bicicleta chegou e me ajudou a curar uma deficiência física e me recuperar de uma depressão que tive na época. Lembro que em uma conversa com minha psicóloga, disse que a bicicleta me trouxe de volta à vida, e que eu devo a minha vida a ela. O que é a pura verdade! Hoje, parte da minha vida social gira em torno dela. Eu conheci vários lugares incríveis através do ciclismo.”, afirma o ciclista.

A relação com o ciclismo cresceu

Se antes o ciclismo era apenas uma forma de promover saúde e bem-estar, a prática do esporte começou a ganhar contornos mais desafiadores há 9 anos. “Antes eu pedalava para ajudar na minha cura. Depois foi evoluindo como um esporte de lazer, só para me divertir mesmo. Então, comecei a participar de pequenas competições, não oficiais. Até que resolvi participar de uma grande competição, CIMTB-Araxá. Fui dar uma volta de reconhecimento na pista e quase morri de tanto cansaço. No outro dia, nem consegui participar da prova, que era para dar cinco voltas na pista, pois estava extremamente cansado e dolorido. Por causa desse dia, resolvi procurar a assistência de um profissional da área, o Júlio Cezar. Ele me ajudou e melhorou muito minha parte física e o meu conhecimento sobre a modalidade. Hoje, olho para trás e vejo que investir em um treinador ou um profissional da área é a decisão mais assertiva que podemos ter.”, compartilha Gustavo Tadeu.

Atualmente, uma rotina intensa de treinos faz parte do seu dia a dia. Ele treina ciclismo cinco vezes por semana e ainda intercala com a musculação. “É uma rotina bem profissional. Já começo o dia olhando na plataforma Treinus o que foi planejado para mim. Ainda tenho outras preocupações como alimentação, administração de calendário de competições e parte de divulgação de mídia que é muito necessária. Quando sobra um tempinho estudo um pouco sobre atividade física para entender mais sobre o que estou fazendo.”, conta o esportista

Para chegar ao topo é preciso muito mais do que treino

Gustavo Tadeu já tinha algumas metas previamente traçadas desde 2020. Afinal, um bom planejamento faz a diferença no desempenho de um esportista, mas a pandemia do coronavírus fez com que os planos fossem adiados.  “Minha meta hoje é parecida com a de todos os atletas competidores, que é participar de um número grande de competições no ano e chegar ao pódio. Fazer uma boa temporada! Por causa da pandemia, fiquei quase dois anos só treinando. Então, isso fez com que o ritmo de competições caísse e gerou também uma mudança de categoria por idade. A quantidade de competições também diminuiu muito e o calendário foi bem refinado.”, explica.

Mas, não são apenas os treinos que fazem um atleta chegar ao topo. Na visão do ciclista, também é necessário ter uma visão empresarial para alcançar alta performance. “Pretendo conseguir aportes financeiros para melhoria de equipamentos e outras coisas afins. Por isso, venho estudando os temas ligados à administração econômica do esporte e como obter esse aporte. Penso que o atleta moderno profissional ou semiprofissional tem que cuidar do gerenciamento da sua carreira, pelo menos em parte. Antes, sem o advento das redes sociais e internet, as informações e interações eram mais lentas ou quase não existiam. Agora, tudo é instantâneo, seja para conseguir um patrocínio ou apoio, para saber dos calendários de provas ou até mesmo ter mais conhecimento sobre o que está sendo feito no mundo para melhorar o desempenho.”, ressalta o atleta.

Motivação e inspiração de todos os lados

Mesmo naqueles dias em que a motivação está baixa, o ciclista busca fazer o melhor daquilo que se propõe. “Eu, particularmente, coloco em pensamento que o treino não é uma obrigação e sim uma responsabilidade, e que a falta dessa responsabilidade traz consequências. Ainda que façamos um treino sem muito ritmo temos que treinar. Assim, seguimos o planejamento físico de modo consistente.”, frisa ele.

Talvez parte dessa consciência e perseverança seja reflexo de uma personalidade muito admirada por Gustavo Tadeu, a atleta brasileira com mais participações em Jogos Olímpicos na história, Jaqueline Mourão. “Me identifico muito com ela. Sabe aquela pessoa que você olha e que parece com você nas ideias e conceitos? Pois é! Foi nela que eu me identifiquei, uma multi-esportista belorizontina e que adora esportes.”, disse Gustavo

Jaqueline Mourão, que já chegou a sua oitava participação em Jogos Olímpicos, se divide entre três esportes: o ciclismo mountain bike, o esqui cross-country e o biatlo. Gustavo também carrega consigo a admiração pelas múltiplas faces do esporte: “Já pratiquei vários outros esportes. Desde futebol de salão, vôlei de quadra, basquete, corrida, até hockey in-line. Eu adoro esporte, acompanho várias outras modalidades. Recentemente estava acompanhando a Diamond League. Adoro ver a evolução dos esportes, penso que não podemos ficar acomodados a entender só um esporte, muitos aspectos de outros esportes podemos agregar no que praticamos.”.

E assim Gustavo segue escrevendo a sua história, fazendo novas descobertas, ultrapassando os limites e colecionando momentos que ficam registrados para sempre na memória. “As melhores recordações que tenho com o esporte foram quando fui treinar na rua e recebi incentivo de pessoas que nem conheço! Tipo, ‘força, garoto’, ‘bora lá, ciclista’, ‘você está forte’. Isso dá uma força dentro da gente, que você pode até estar cansado, mas no seu corpo brota uma energia boa que faz ir além.”, conclui o atleta.

Sobre o atleta

Atleta Gustavo Tadeu

Gustavo Tadeu trabalha como analista de mídia e é apaixonado por cinema e música. Sua paixão por artes clássicas é tão grande que ele é musicista formado, além de algumas vezes escrever críticas cinematográficas para os amigos. Gustavo gosta tanto do contato com a natureza que se autodenomina bicho do mato. E, como não podia deixar de ser, adora esportes que o aproximam dessa relação, como trekking e montanhismo. O seu sonho é em breve percorrer a Rodovia Pan-americana de bicicleta. Siga @gustavotaso no Instagram e acompanhe de perto essa trajetória!

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