Para se inspirar

Da doença de Crohn às maratonas, Germano Gonçalves escreve sua história de superação com a corrida!

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Sabemos que os obstáculos foram feitos para serem superados, mas no caso de Germano Gonçalves, o principal desafio da sua vida foi um pouco diferente. Convivendo com a doença de Crohn desde os 20 anos de idade, ele aprendeu cedo que precisaria de força extra para seguir em frente.

Em um cenário repleto de limitações e incertezas, a corrida surgiu como uma tentativa de melhorar sua saúde. E o que começou por curiosidade se transformou em um verdadeiro estilo de vida, como também um espaço de superação e propósito. “A modalidade me deu ânimo e motivação para seguir em frente, mesmo nos momentos mais difíceis”, conta.

De uma adolescência ativa à descoberta da doença de Crohn

Desde cedo, Germano Gonçalves tinha uma ligação forte com o esporte, já que, ainda na escola, participava de aulas de handebol, futsal e vôlei. Após os 16 anos, ele começou a praticar musculação com o intuito de manter uma rotina ativa. 

No entanto, apesar de sua dedicação, a saúde começou a apresentar sinais preocupantes. Aos 20 anos, alguns sintomas como fissuras e gastrite marcaram uma mudança radical em sua vida, com a descoberta da doença de Crohn. “Naquela época, as doenças inflamatórias não eram tão difundidas. Levei mais de um ano para ser diagnosticado, passei por cerca de 15 médicos, e alguns chegaram a falar que eu tinha câncer ou que não sobreviveria cinco anos”, recorda. 

Em resumo, a doença de Crohn é uma condição inflamatória crônica que afeta, principalmente, o intestino, provocando dores abdominais, diarreia intensa, fadiga, perda de peso e, em alguns casos, a necessidade de cirurgias. Embora não tenha cura, o acompanhamento médico constante e o tratamento adequado ajudam a controlar os sintomas para manter a qualidade de vida.

Para Germano, o choque e o desconhecimento sobre a condição tornaram o início do tratamento um período de grande incerteza. Além do impacto do diagnóstico, nos anos seguintes ele também enfrentou fases extremamente desafiadoras. “Passei por um período muito acentuado em que a doença estava em fase bem aguda. Tive que drenar abscessos, fui ostomizado por cerca de um ano e fiquei oito meses me alimentando exclusivamente de uma fórmula”, relata. 

Durante esses períodos, a desnutrição se tornou uma ameaça constante e os deslocamentos frequentes ao hospital faziam parte do seu dia a dia. “Dos meus 20 até os 30 e poucos anos, convivi com crises constantes, ia me consultar pelo menos uma vez por semana, e sempre voltava com algum sintoma da doença em atividade”, relembra o atleta.

A corrida que mudou a perspectiva de vida de Germano Gonçalves

O tratamento e a recuperação de Germano Gonçalves envolveram diversas cirurgias ao longo dos anos, e, para ele, o maior desafio era viver constantemente com medo.

Entre 1998 a 2011, ele passou por inúmeros procedimentos experimentais e uso de corticoides, que impactaram não apenas sua saúde física, mas também emocional. “Eu já tinha feito cinco cirurgias e o grande receio era saber que em algum momento a doença poderia voltar de forma intensa, lembra. 

Foi só após uma cirurgia importante em 2011 que sua vida começou a mudar. “A doença entrou em remissão profunda graças ao imunobiológico, uma inovação para a época. Desde então, faço exames a cada seis meses, mas passo a ver a vida de outra forma”, explica. 

Ele reconhece que esse período crítico se tornou, disparadamente, um divisor de águas. “Foi um buraco na minha vida onde passei pela fase mais severa e, por incrível que pareça, meu cérebro meio que deletou grande parte dela. Apesar disso, passei a valorizar mais minha saúde!, confessa.

Ao mesmo tempo, a relação com as atividades físicas ganhou outro significado. “O esporte sempre esteve presente na minha vida, mas quando voltei a ter contato próximo com a doença, comecei a enxergá-lo de maneira diferente”, relata o atleta.

A inspiração para praticar a corrida de rua, entretanto, veio em 2013. Um amigo da época, dono da primeira academia que trabalhava, costumava sair para correr à noite próximo a um shopping em Belo Horizonte. “Eu lembro claramente que, no final do expediente, ele colocava um tênis, uma bermuda, uma camiseta, e corria 10, 15km, voltando tranquilo e animado. Naquela época, a corrida não era tão popular quanto é hoje. Pouquíssimas pessoas corriam. Eu achava até interessante”, lembra.

Diante disso, com a doença estabilizada, ele decidiu iniciar de fato nessa modalidade. “Passei a ver o esporte como um fator essencial não só para manter a minha saúde e qualidade de vida, mas para me sentir uma pessoa normal novamente, reflete.

E então, o que começou como uma forma de retomar a rotina e fortalecer o corpo, transformou-se em um novo horizonte de superação e propósito na vida de Germano Gonçalves!

Os primeiros passos para melhorar a qualidade de vida

Ainda em 2013, dois anos após sua última cirurgia e com a recuperação já avançada, o atleta decidiu levar a corrida a sério. Para evitar erros e treinar com segurança, buscou orientação especializada. A escolha foi a Guana Trainer, uma assessoria esportiva que se tornaria parte importante da sua trajetória!

O ambiente acolhedor e o suporte profissional fizeram toda a diferença nesse início. “Treinar com esse acompanhamento foi fundamental para mim, porque me desenvolvi muito rápido. Em poucas semanas, eu já estava correndo 5km”, relembra.

Cerca de cinco meses depois, ele enfrentou sua primeira prova, onde todo o percurso foi feito na esplanada do Estádio Mineirão. “No início, mal conseguia correr 1km, ia alternando entre 200 metros de corrida e 200 metros de caminhada. Mesmo assim, foi uma sensação incrível. Tenho uma lembrança muito carinhosa dessa prova, conta Germano.

Já com sete meses correndo, ele percebeu que essa modalidade seria um caminho indispensável em sua vida. “Comecei a perceber que a corrida ia ser mais do que uma atividade cotidiana, mais do que um hobby. Pela primeira vez em muito tempo, consegui ficar quase um ano sem sentir praticamente nenhum sintoma”, enfatiza o atleta. 

Contudo, todo o percurso dessa jornada não foi isento de desafios. Em 2017, ele sofreu uma fascite plantar após forçar demais o corpo em um treino mais intenso. “Tive que procurar fisioterapeuta e médico. No final, descobri que tinha várias deficiências e desequilíbrios musculares que precisei tratar”, relembra.

A doença de Crohn voltava a impor limites, já que, por ter o sistema imunológico mais frágil, ele enfrentava dificuldades para manter constância nos treinos longos. “Para uma preparação de maratona, que sempre foi meu objetivo, era muito difícil manter a constância por 4 ou 5 meses sem precisar me afastar”, explica.

Além disso, a fadiga crônica, um sintoma comum da doença, tornava cada treino um desafio extra. “As pessoas acham que é preguiça, mas não é. É um cansaço inexplicável, muito maior do que a fadiga normal que as pessoas sentem”, relata.

Mesmo convivendo com inúmeros problemas, cada quilômetro percorrido passou a simbolizar vitória sobre as suas limitações, reforçando a importância da disciplina, do autoconhecimento e da perseverança na vida do atleta. 

Em meio às dificuldades, Germano batalhou pela constância!

Com evolução constante, os treinos ganharam maiores distâncias e intensidades, onde logo vieram novos desafios, como a São Silvestre e a Volta Internacional da Pampulha.

O tempo foi passando e a experiência com o esporte começou a ficar mais séria. O corredor começou a viajar para participar de desafios maiores. “Me inscrevi na Maratona do Rio, que eu adoro. Aproveito para fazer turismo na cidade. Desde então, acho que fui umas 7 ou 8 vezes para lá fazer os 42km”, comenta.

Apesar das conquistas, as maratonas sempre representaram um desafio especial por causa das limitações impostas pela doença. Para o atleta, o ideal seria seguir um ciclo completo com treinos que chegam a 36 km. 

Porém, manter essa constância nunca foi fácil. “Quando não era uma lesão, era alguma questão de saúde relacionada à doença de Crohn: uma gripe, uma sinusite forte, um problema respiratório que durava semanas. Então, eu sempre fui para as maratonas com um treinamento máximo de 24km”, explica.

Durante a sua trajetória esportiva, ele passou por diferentes treinadores dentro da equipe, mas desde 2019 tem uma parceria firme com a profissional de Educação Física Lili Rodrigues. “Eu sempre faço questão de treinar com ela, tanto que hoje somos amigos pessoais. Gosto muito dela, é uma excelente profissional e não me vejo treinando com outra pessoa”, destaca o atleta.

A Treinus é a grande parceira de Germano Gonçalves no esporte!

A doença de Crohn marcou profundamente a vida de Germano Gonçalves, mas também se tornou um incentivo para buscar alternativas que garantissem saúde e qualidade de vida. “Hoje, quem tem uma doença precisa conviver com ela, tratá-la, encarar de frente e tentar viver a vida da forma mais normal possível”, afirma.

O atleta segue olhando para o futuro com entusiasmo e novos objetivos, mantendo viva a motivação que a corrida trouxe para sua vida. “Eu ainda tenho vontade de participar da maratona de Nova Iorque em 2027. Quero muito, mas quero me preparar adequadamente, fazer um planejamento correto, para correr e conseguir terminar a prova de uma maneira menos desgastante”, conta.

Para organizar seus treinos e acompanhar sua performance, ele conta com a plataforma Treinus! Ela é muito prática e facilita tudo! Consigo ver a planilha semanal, entender qual será o tipo de treino e visualizar minha evolução com um histórico completo das atividades”, destaca o maratonista.

Além disso, o atleta destaca a integração com tecnologia como um grande diferencial. “A plataforma sincroniza com meu relógio, então no dia do treino é só clicar e já está tudo programado. Também consigo controlar a quilometragem dos tênis para saber quando é hora de trocar!”, completa.

Para as pessoas que enfrentam doenças crônicas e querem se envolver com o esporte, Germano Gonçalves deixa uma mensagem inspiradora. “Não esmoreçam de forma alguma. Vocês não são definidos pela doença. Ela deve ser vista como uma oportunidade para se desenvolver. Pessoalmente, adquiri uma resiliência muito grande, porque é preciso aprender a conviver com isso e enxergar a luz no fim do túnel, incentiva.

Por fim, segundo ele, cada obstáculo se tornou um aprendizado. “A doença me fez perder muitos anos, deixei de fazer muita coisa, mas também me fez amadurecer muito. Depois de passar por algo assim, você percebe que seus problemas são muito pequenos. Qualquer coisa que enfrenta parece insignificante em comparação com isso, e você consegue enxergar sua capacidade de reação!”, finaliza.

Sobre o atleta

maratonista Germano Gonçalves Germano Gonçalves tem 47 anos, é engenheiro civil e trabalha no DECAP da Prefeitura de Belo Horizonte, responsável pelas obras da cidade. Já foi empresário de projetos, mas hoje se dedica à sua carreira e à família. Como hobby, pratica musculação e corrida. É casado e tem um filho de 7 anos, com quem procura sempre ter tempo de qualidade. Apesar de suas limitações, leva uma vida basicamente normal!