Alimentação

A fome emocional está controlando sua alimentação? Saiba como identificá-la!

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Comer é uma necessidade fundamental para que o corpo funcione de maneira eficaz. No entanto, algumas pessoas acabam exagerando na alimentação sem compreender o motivo por trás desse comportamento, que é conhecido como fome emocional.

Esse problema, como o próprio nome indica, está relacionado às condições emocionais do ser humano. De acordo com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (2023), 7 em cada 10 brasileiros sentem ou já sentiram fome emocional. Além disso, 64% das pessoas afirmam que comem em excesso para lidar com a ansiedade e estresse.

Para combater de vez esse transtorno, a nutricionista esportiva Carla Bogéa explica como é possível identificar a fome emocional para, assim, se livrar de vez desse distúrbio!

O que caracteriza a fome emocional?

A fome emocional é uma situação na qual uma pessoa sente desejo intenso de comer, ocasionado como uma resposta a emoções, sentimentos ou situações psicológicas. Em outras palavras, é quando alguém busca conforto, alívio ou gratificação através da comida.

Essa condição (que é desencadeada pelas emoções), pode levar a uma compulsão alimentar, na qual a pessoa afetada lida com o problema consumindo um alto volume de alimentos, geralmente ricos em calorias.

Pessoas que enfrentam esse distúrbio podem comer em excesso, mesmo quando não estão fisicamente com fome, e isso pode levar a problemas graves de saúde.

Ainda de acordo com a pesquisa da ABESO, 60% dos entrevistados afirmaram que comeram chocolate, pizza ou outras guloseimas quando estavam estressados ou de mau humor, número que aumenta para 70%, quando se trata de jovens entre 18 a 24 anos. 

Para a nutricionista Carla Bogéa, o transtorno costuma estar ligado a alguns fatores. “A fome emocional vem sendo associada a altos níveis de ansiedade e depressão. Além disso, a presença de certas variantes genéticas e/ou níveis elevados de certos metabólitos podem estar envolvidos.”, afirma a profissional.

As emoções desencadeadoras do transtorno podem variar de pessoa para pessoa, incluindo tristeza, tédio, solidão, raiva e/ou frustração. “Como a fome emocional está envolvida com a busca de compensação por uma dor ou recompensa por ter enfrentado um momento difícil, as emoções com as quais não conseguimos lidar são os gatilhos para ela. O comer compulsivo e/ou errado aumenta os neurotransmissores de prazer e estimula os pontos de recompensa em nosso cérebro.”, destaca Bogéa.

Existem diferenças entre fome física e fome emocional?

A fome física é uma sensação natural que surge quando o corpo necessita de nutrientes para fornecer energia e sustento, como quando o estômago está vazio após um período longo sem alimentação. Em contrapartida, a fome emocional pode ocorrer mesmo quando o corpo não precisa de calorias para funcionar adequadamente.

Outra diferença fundamental é a escolha dos alimentos. A emocional tende a levar a escolhas alimentares específicas, frequentemente envolvendo o consumo excessivo de calorias vazias. Já no caso da física, o corpo tende a ansiar por alimentos que atendam às necessidades reais de nutrição, como frutas, grãos e proteínas magras.

Por isso, é importante reconhecer e saber diferenciar essas duas formas de fome para adotar hábitos alimentares saudáveis.

Tabela comparativa personalizada contendo três diferenças entre a fome física e a fome emocional

Quais as causas e sintomas da fome emocional?

A fome emocional é uma situação complexa que requer uma compreensão profunda de suas causas e dos sintomas associados, para que o problema seja tratado com cuidado. São várias as razões que podem desencadear o transtorno.

O estresse é uma das principais causas, devido a liberação de alguns tipos de hormônios que podem desencadear o desejo de comer. Muitas pessoas recorrem ao alimento como uma forma de aliviar a tensão momentânea, buscando conforto na comida.

Ainda, a falta de atividades estimulantes e o tédio podem levar ao consumo de alimentos, muitas vezes por puro entretenimento ou para preencher o vazio emocional. O ato de comer pode oferecer distração temporária, tornando-se uma escolha durante esses momentos.

Também, muitas vezes, em resposta a eventos ou emoções específicas, a fome emocional se manifesta como uma tentativa de lidar com esses sentimentos por meio da alimentação.

Existem outras causas para esse transtorno, como:

É importante estar atento aos sinais do corpo e às emoções que podem estar desencadeando o desejo de comer. Reconhecer os sintomas da fome emocional é o primeiro passo para desenvolver estratégias mais saudáveis para encontrar maneiras de lidar com os sentimentos sem recorrer à comida como uma fuga temporária.

A seguir você confere os principais sintomas que provocam esse tipo de comportamento alimentar:

1. Desejo específico de alimentos reconfortantes

Muitas vezes, a fome emocional leva a um desejo intenso por alimentos específicos, geralmente aqueles ricos em calorias, como chocolate, doces em geral, fast food, ou outros alimentos reconfortantes. 

Isso ocorre porque essas comidas podem desencadear reações de prazer no cérebro, proporcionando alívio temporário das emoções negativas.

2. Comer rapidamente

Pessoas que enfrentam a fome emocional tendem a comer rapidamente, em busca de alívio emocional imediato. Se alimentar de forma apressada pode ocorrer quando necessita de uma distração rápida para as emoções negativas e, frequentemente, leva a excessos alimentares.

3. Restrições alimentares

O transtorno muitas vezes resulta em ciclos repetitivos de comer emocionalmente, seguidos por tentativas de restrição alimentar, dietas extremas ou compensações. Isso pode dificultar a manutenção de um relacionamento saudável com a comida.

4. Fome repentina após comer

Pessoas que sofrem com o problema podem experimentar uma sensação de fome súbita logo após uma refeição, mesmo que tenham comido em excesso. Isso ocorre porque a comida consumida não satisfaz a fome emocional, levando a mais episódios de comer irracionalmente.

5. Fugir da realidade 

Comer emocionalmente pode servir como uma forma de escapismo, permitindo que a pessoa temporariamente se desconecte de problemas, preocupações ou emoções negativas, e crie um ciclo em que a comida é usada como uma fuga da realidade.

6. Compulsão alimentar

A fome emocional pode levar a episódios de compulsão alimentar, nos quais a pessoa consome grandes quantidades de comida em um curto período, frequentemente sentindo que não tem controle sobre o ato de comer.

Dessa forma, é de extrema importância reconhecer os sintomas da fome emocional e buscar ajuda quando necessário, uma vez que esse comportamento pode ter consequências para a saúde física e mental. 

Como a fome emocional pode impactar na saúde?

A fome emocional, quando não reconhecida e controlada, pode ter impactos significativos na vida da pessoa que sofre com esse problema. Um dos riscos mais evidentes é o desenvolvimento da obesidade e de outras doenças relacionadas ao excesso de peso que, por sua vez, estão associadas a uma série de problemas de saúde, como:

Além dos efeitos físicos, a fome emocional pode afetar a autoestima e alterar a autoimagem da pessoa. Isso faz com que se crie um ciclo de compulsão alimentar e restrição que gera uma relação negativa com a comida, resultando em sentimentos de fracasso.

Atletas e pessoas no geral que estão em déficit calórico também podem apresentar episódios de fome emocional. Para a nutricionista Carla Bogéa, é possível contornar essa situação para não atrapalhar os resultados. “No caso do atleta, se este estiver lesionado, isso se agrava. Porque ele também está em privação do exercício. O ideal é procurar outras maneiras de se satisfazer emocionalmente e é muito importante entender seus gatilhos, para conseguir não se entregar a eles.”, reforça a nutricionista.

Aprenda a lidar com a fome emocional! 

Saber lidar com a fome emocional pode ser um grande desafio para aqueles que enfrentam esse comportamento alimentar. A boa notícia é que existem estratégias eficazes para enfrentar essa questão e promover um relacionamento saudável com a comida. 

O primeiro passo é desenvolver a consciência emocional, ou seja, reconhecer e entender as emoções que desencadeiam o transtorno. Identificar esses padrões pode ajudar a antecipar e lidar com os gatilhos.

É importante também aprender a fazer escolhas alimentares conscientes. “Na crise, todo controle se torna mais difícil porque perdemos a capacidade de administrar nossas emoções. De qualquer maneira é importante evitar ter por perto alimentos que desencadeiam compulsão, ricos em carboidratos de alto índice glicêmico e alimentos ultraprocessados. Também, mantenha uma ingestão adequada de alimentos ricos em proteínas, gorduras boas, fibras e carboidratos de baixo índice glicêmico (iogurte com aveia, maçã, pera, lentilha, feijão). O ideal é conseguir desviar do problema através de atividades paralelas que relaxem e tragam prazer sem envolver comida e bebida. O melhor exemplo é a atividade física.”, pontua Bogéa.

Além disso, pratique a atenção plena, afinal, isso pode ajudar a manter o foco no momento presente, permitindo uma conexão mais profunda com as sensações físicas e emocionais e, consequentemente, evitar a impulsividade alimentar.

Por fim, para muitas pessoas, buscar ajuda é uma iniciativa essencial durante esse processo, afinal, o acompanhamento com um psicólogo e um nutricionista é essencial. Os profissionais podem ajudar a identificar gatilhos emocionais, desenvolver habilidades de autorregulação emocional e estabelecer hábitos alimentares saudáveis. Trabalhando em conjunto, é possível ter todo o suporte para superar o problema e melhorar a relação com a comida.

“A saúde deve ser tratada de uma maneira ampla e multiprofissional. Alguns pacientes chegam no meu consultório com questões que devem ser trabalhadas associadas à terapia. É necessário ainda que o profissional tenha empatia com o paciente, pois se você nunca sentiu, com certeza atravessará momentos como esse. O paciente precisa ser acolhido e ajudado para que consiga superar essa fase.”, finaliza Carla Bogéa.

Referências

Autoestima e estereótipos do comer emocional

Estado emocional e comportamento alimentar: vivência de jovens com dificuldades alimentares

O que a fome emocional tem a ver com a obesidade? Pesquisa explica