Práticas esportivas

Como simular uma corrida na esteira

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Uma pergunta rápida: como fazer para que um treino na esteira simule, da melhor maneira possível, uma corrida na rua?

Não fique se achando o “rei da cocada”  se você respondeu: inclinando a esteira em 1%. Apesar desse método ter sido repetido durante anos como sendo a melhor maneira de simular, na esteira, uma corrida de verdade isso não passa de um mito, uma lenda urbana, segundo Casey Karrigan, médica formada em Harvard e especializada em reabilitação física.

A história de inclinar a esteira em 1% é uma super simplificação de um estudo do inglês Andrew Jones, que testou corredores experientes em seis diferentes velocidades (5’45’’/km, 5’00’’/km, 4’30’/km, 4’00’’/km, 3’40’’/km, 3’20’’/km) durante corridas em esteira com diversas inclinações diferentes.

Colocando a esteira em uma inclinação de 1% resultou em um esforço semelhante ao realizado em uma corrida na rua, porém apenas quando a velocidade era maior ou igual a 4’30’’/km (13,3 km/h). Vamos ser realistas: a maioria de nós é mais lenta do que isso.

Não é errado pensar que, quando se corre na esteira, não se enfrenta a resistência do ar (afinal a pessoa não se move, fica parada no lugar), porém essa resistência só é significativa em velocidades maiores que 13,3 km/h

Além disso, Kerrigan também afirma que a biomecânica da corrida na esteira, ao contrário do que muitos pensam, é essencialmente igual a da corrida de verdade. “As pessoas tem um preconceito contra treinos na esteira, dizem que corredores de verdade não treinam em esteiras, ou que treinar na esteira muda seu movimento de corrida.

Tudo isso é besteira. Nós encontramos pequenas alterações, mas não tão importantes quanto se afirma. São alterações que não influenciam a biomecânica da corrida de um indivíduo”.

Outro ponto importante que vale a pena ser ressaltado é que se segurar nos apoios laterais para reduzir o impacto da corrida (por exemplo: no caso de recuperação de lesões) é contra producente e pode levar a lesões mais sérias. “É praticamente impossível conseguir um sincronismo para que realmente essa idéia funcione”, afirma a médica.

Quando Kerrigan vai correr na esteira, ela seleciona o modo manual e não dá bola para inclinações.

Ricardo Borges
Nutrólogo | Triatleta

 

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