Qualidade de vida

Aprenda de maneira eficaz como lidar com a derrota no esporte

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Se você já participou de alguma competição na vida, seja ela nos tempos de escola ou no ambiente profissional, certamente já ouviu a máxima que dita que “o importante é participar”. Verdade ou não, na realidade ninguém começa a competir em uma modalidade esperando perder, ou seja, é de extrema importância saber como lidar com a derrota no esporte.

Como lidar com a derrota no esporte

Para Thayz Figueirêdo, psicóloga e profissional de educação física, para uma perda ser considerada derrota, é preciso entender os objetivos do atleta. O competidor pode definir como meta melhorar seu tempo em uma prova e não necessariamente ser campeão dela. Se ele não alcança esse objetivo, pode considerar uma derrota nesta prova, então tudo depende das metas e objetivos estabelecidos.”, esclarece.  

Dessa forma, tanto a vitória quanto a derrota são inerentes ao contexto esportivo, não podendo ser evitadas a todo custo. Para ela, muitas variáveis podem ser controladas a fim de reduzir as chances de não se alcançar a meta desejada. O manejo do estresse e ansiedade, trabalho de foco e concentração, treinamento adequado, sono, descanso e alimentação. No entanto, outras tantas interferências estão fora do controle do atleta, como a capacidade de seu adversário, por exemplo. “Ser derrotado é muito mais sobre o que o atleta faz com sua derrota. Por exemplo, se ele está disposto a reavaliar sua prova, no sentido de procurar entender os erros e melhorar, ou se ele vai assumir uma postura derrotista”, complementa a profissional.

Os efeitos psicológicos da derrota no esporte

Em uma competição, são vários os fatores que podem levar a uma derrota. E eles podem estar relacionados à preparação física, preparação mental, pressão, ansiedade, condições climáticas, falha nos equipamentos, erros da arbitragem e outras inúmeras variáveis, mas existe uma que deve ser olhada com muito cuidado: o impacto psicológico!

É compreensível a frustração e decepção do atleta, por mais que o esporte por si só já traga o benefício de desenvolver a resiliência, superar obstáculos e persistir diante a derrota. Mas, um desdobramento da derrota é a dificuldade individual e até mesmo social em lidar com uma expectativa não realizada, o que pode causar vergonha, sentimento de incapacidade e falta de reconhecimento pelo esforço realizado. Tudo isso provoca abandono, falta de foco, baixo rendimento, lesões, perda de prestígio e pode até levar à depressão.

Thayz alerta que é importante viver o luto daquele título/medalha que não veio, saber reconhecer e ressignificar esta perda. Pois, negar os fatos, se isolar e provocar situações de fuga ou anestesia da situação podem trazer efeitos desastrosos para saúde mental do atleta e, consequentemente, para as próximas competições. “Para alguns atletas, derrotas doloridas fortalecem a atitude esportiva e o desejo de superação, como uma competição consigo mesmo, focada no processo e não somente no resultado. Mas, muitas vezes, o atleta não vai conseguir dar conta disso tudo sozinho, então, uma rede de apoio – família, equipe, comissão técnica, amigos – e o trabalho de um psicólogo esportivo são muito importantes nestes momentos”, revela.

Existe vida após a derrota esportiva!

Muitos atletas são incentivados e cobrados a ganharem em qualquer situação, o que torna ainda mais desafiador aprender com os erros e ter inspiração para continuar. Thayz explica que esses casos são delicados, pois envolvem também a pressão financeira. “Precisamos rever e reformular os limites institucionais (clubes, federações, confederações, patrocinadores) para a busca de desempenho do atleta. Lembrar que o atleta é antes de tudo ser humano, e entender que a cobrança pela vitória a qualquer custo pode inclusive gerar o efeito oposto ao desejado. Alguns atletas, sob muita pressão, têm seu desempenho reduzido, além de gerar altos níveis de ansiedade e estresse, que também interferem na performance.”, alerta a psicóloga.

Sabemos que mesmo com toda a preparação para uma competição de sucesso, a derrota pode, vez ou outra, aparecer. Nesse caso, a profissional indica que o ideal é deixar os sentimentos virem, sem censurá-los, sejam eles de raiva, tristeza, frustração ou alívio, pois não se permitir sentir pode ser bastante nocivo para a saúde mental e atrapalhar o atleta no futuro. É importante também ter um olhar atento e analítico sobre a performance realizada e tirar dela os pontos positivos, as oportunidades para melhorar, o aprendizado com a derrota em si e com o sucesso do adversário.

Para os casos de derrotas recorrentes, a dica é calcular novamente as rotas e olhar para as metas que foram estabelecidas. Caso o que se deseja alcançar não esteja de acordo com a performance que o atleta vem apresentando, é imprescindível que ele, juntamente com o treinador, reestruture as estratégias e procure entender onde está tendo mais dificuldade no aspecto físico, técnico, tático e mental. “As metas devem ser alcançáveis, para que isso facilite a disciplina e a motivação. Ter metas factíveis vai auxiliar o atleta a não desistir e, inclusive, manter seu nível de autocobrança dentro daquilo que está definido no seu objetivo.” inspira Thayz.

Por fim, a profissional reforça a importância de não desistir frente às derrotas e seguir firme na rotina esportiva com a maior e melhor atitude que um atleta pode ter: disciplina. “Se atenha às metas e revise-as sempre que necessário. Identifique os fatores que porventura estejam causando falta de ânimo – cobranças? Relação com o treinador? Pressão dos pais? Pressão da mídia? Dor e lesões? – e procure maneiras de lidar com elas. Nesses casos, a presença de um psicólogo esportivo é fundamental.”, finaliza.

Conheça a profissional

Psicóloga Thayz FigueirêdoThayz Figueirêdo é Psicóloga e Profissional de Educação Física, com especialização em Psicologia do Esporte. Foi atleta de handebol e, a partir dessa experiência que posteriormente pôde perceber a importância da psicologia esportiva. Atualmente, trabalha com a Seleção Brasileira de Escalada Esportiva e atende também atletas de diversas modalidades como futebol, tênis, ginásticas, atletismo e games. Seu foco é em saúde mental no esporte e atua pela abordagem da psicologia analítica.

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