Um estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com o Imperial College de Londres revelou um dado alarmante. Em cerca de 30 anos, o número de pessoas vivendo com hipertensão ou pressão alta duplicou, saindo de 650 milhões em 1990 para cerca de 1,2 bilhões de hipertensos em 2019. O trabalho foi baseado em 1.021 estudos, de 184 países, e 104 milhões de participantes no período de 1990 a 2019. Já a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), feita em 2019, constatou que cerca de 38,1 milhões de brasileiros têm pressão alta. Tal condição, quando não tratada da devida forma, pode levar a outros problemas de saúde. Por isso, é muito importante que você conheça cada uma das formas de como controlar a pressão alta.
Para entendermos um pouco mais sobre esses cuidados, conversamos com a cardiologista Erika Alvarenga. “A hipertensão é caracterizada pela elevação persistente dos níveis de pressão arterial igual ou acima de 140 (pressão arterial sistólica) e/ou 90mmHg (pressão arterial diastólica). Entretanto, uma única medida não confirma o diagnóstico de hipertensão arterial.”, explica a médica.
Quais são as causas da pressão alta?
A hipertensão arterial é uma doença multifatorial que sofre influência de fatores genéticos, ambientais e sociais. “Na maioria das vezes não existe uma única causa para a hipertensão. No entanto, em menos de 10% dos casos existe a hipertensão arterial secundária, quando há uma causa específica para desenvolvimento da hipertensão. Dentre essas causas, estão a doença renovascular, o hiperaldosteronismo primário, doença renal parenquimatosa e causas hormonais, como feocromocitoma e acromegalia.”, ressalta Alvarenga.
De acordo com a cardiologista, alguns fatores de risco podem fazer com que a doença se desenvolva. Entre eles, os principais são:
- Idade.
- Sobrepeso e obesidade.
- Alta ingestão de sódio.
- Sedentarismo.
- Elevado consumo de álcool.
- Presença de doenças como a apneia obstrutiva do sono.
Como é feito o diagnóstico de pressão alta?
Embora não haja uma frequência ideal para a realização da aferição da pressão arterial, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que os cuidados devem começar na infância. No Manual de Orientação sobre Hipertensão arterial na infância e adolescência, a entidade afirma que crianças maiores de 3 anos devem ter sua pressão arterial verificada pelo menos uma vez por ano. “Já na infância o pediatra realiza algumas medidas da pressão arterial. Principalmente em crianças com sobrepeso e obesidade, sedentárias e com doenças renais ou hormonais, é realizada a avaliação da pressão.”, reitera a cardiologista.
Alvarenga ainda frisa acerca da importância da realização da avaliação médica de rotina com cardiologista ou clínico que vai medir a pressão arterial e investigar os fatores de risco associados. “Hipertensão arterial é uma doença silenciosa que na maioria das vezes não causa sintomas. Por isso, é importante a avaliação médica. O diagnóstico pode ser feito por duas ou mais medidas no consultório, pela monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) e/ou pela monitorização residencial da pressão arterial, com aparelhos calibrados e braçadeiras do tamanho correto para o braço do paciente.”, esclarece a profissional.
A pressão alta tem cura?
A cardiologista alerta que se não tratada adequadamente, a pressão alta pode ocasionar problemas como:
- Acidente vascular cerebral.
- Doença arterial coronariana (aumentando o risco de infarto do miocárdio).
- Insuficiência cardíaca.
- Doença renal.
- Doenças aórticas.
- Cardiomiopatia hipertensiva, com aumento do tamanho do coração.
Apesar de não ter cura, a hipertensão pode ser tratada. “Este tratamento inclui mudanças de estilo de vida, dieta balanceada, redução da ingestão de sal e álcool, prática de exercícios, perda de peso, melhora da qualidade do sono e a utilização de medicamentos. Em alguns casos, é possível tratar a hipertensão apenas com medidas do estilo de vida. No entanto, essas medidas precisam ser mantidas, realizadas rotineiramente como um medicamento.”, pontua a doutora.
A prática de exercícios físicos pode ajudar no controle da pressão alta?
A prática da atividade física é fundamental para a prevenção e tratamento da hipertensão arterial. “Durante o exercício, a pressão aumenta, mas após a realização da atividade, ocorre redução dos níveis de pressão arterial. Esse efeito dura horas colaborando para a redução dos níveis de pressão. Pacientes hipertensos têm indicação de praticar exercício.”, sinaliza Alvarenga.
Mas, lembre-se: para realizar exercício físico com segurança é preciso manter a avaliação médica em dia. Passar por um check-up antes de dar início aos trabalhos físicos e obter a liberação do médico é fundamental. Buscar a orientação de um profissional de Educação Física também é recomendado para afastar os riscos de qualquer problema.
Quais outras medidas podem ser adotadas para prevenção e controle da pressão alta?
O controle e prevenção da hipertensão envolve diversos fatores. Além da prática de exercícios e da perda de peso, a alimentação equilibrada e a qualidade do sono também são indispensáveis. “Durante o sono, ocorre o descenso noturno (queda normal, fisiológica, que ocorre durante o sono em relação a pressão diurna) e a redução da pressão arterial. Pacientes que não têm um sono adequado já iniciam seu dia com níveis elevados de pressão.”, indica a profissional.
Quanto à alimentação, a médica indica que o ideal é diminuir o consumo de alimentos industrializados e processados, além de evitar colocar sal nas refeições. “Alimentos pobres em sódio e ricos em potássio, como beterraba, laranja, melão e ervilha, contribuem para a redução da pressão arterial.”, aconselha Erika Alvarenga.
Nem sempre o corpo dá sinais quando há algo errado. Por isso, é necessário sempre manter os cuidados periódicos com a saúde. “Como a hipertensão é uma doença silenciosa, a ausência de sintomas não é sinônimo de pressão normal. A avaliação médica e os cuidados com alimentação, exercício e sono são fundamentais para a prevenção, diagnóstico e o tratamento.”, finaliza a doutora.
Sobre o profissional
Erika Alvarenga é médica com especialização em Cardiologia e Medicina do Esporte, além de Doutora em Ciências Cardiovasculares. Erika pratica corrida, natação, musculação e tênis. E, claro, acredita no poder que a prática de exercícios físicos tem de promover qualidade de vida e bem-estar. Para ela, essa é uma das melhores formas de prevenir e auxiliar o tratamento de inúmeras doenças físicas e mentais. Siga @dra.erika_alvarenga no Instagram!
Referências
SBP divulga Manual de Orientação sobre Hipertensão arterial na infância e adolescência
