Práticas esportivas

Como a potência ajuda a aproximar um simulado do esforço de uma prova alvo

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Eis aqui uma análise de um comparativo entre o treino que fiz focado no Big Biker Cup no final de semana do Brasileiro de XCO e a própria prova do Big, do ano passado, que eu ganhei.

Com o medidor de potência e suas várias informações e parâmetros a gente nota alguns números interessantes.
Primeiro que meu “simulado”, ou treino longo tentando replicar estímulos e intensidades que encontraria no Big Biker Cup teve algumas pausas por conta de alguns atletas da OCE presentes. Se torna ainda mais importante a continuidade dos meus treinos pessoais quando alguns atletas aproveitam para pedalar comigo, ou para forçarem seus ritmos ou para eu poder observar como ele estão se portando em cima da bike.

Então as leves diferenças se dão por conta dessas desaceleradas. Também vejam que o tempo total está diferente, ou seja, se eu fizesse o tempo do meu treino mais perto do tempo da corrida, teria números maiores e mais perto dos números do Big do ano passado.

Pelo gasto calórico a gente nota uma perfeição da simulação de esforço entre o treino e o esforço da prova com aproximadamente 2700kcal gastas.

Bom, já temos uma informação super importante, que é a reposição energética para o Big. No meu caso, com meus números, eu tenho uma noção de que eu tenho que comer aproximadamente 772kcal por hora e tirando a minha reserva de glicogênio, creio eu que por volta de 400-500kcal por hora seja o suficiente.

O TSS(IF) que é basicamente a intensidade média do treino ou competição baseada no meu limiar de potência(345-355w).  Um IF de 700, por exemplo, significa 70% do meu limiar em normalized power(NP).  Nota-se uma diferença no treino para a própria competição de 2013, mas considero o acúmulo semanal da semana antes de fazer o treino, a paradas e aliviadas para reagrupamento, a parada para abastecimento, o reaquecimento até voltar ao ritmo os principais fatores que causaram essa diferença.

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Gráfico comparativo

Durante o treino fui mentalizando aonde mais ou menos estariam as serras e simulei potências que sei que são vencedoras e suficientes para brigar no BIG.

Uma potência de 375w para 10min para mim me deixa na boca do gol e próximo dos ponteiros para brigar pelo título da prova, foi o que tentei replicar em alguns pontos ou algo um pouco abaixo. Muitas vezes é difícil de replicar as potências em treinos, pois com a adrenalina da prova e o descanso da semana antes da competição fica mais fácil gerar potências mais altas.

Para essas provas longas, esse simulado está de bom tamanho.  Os números não necessariamente precisam ser idênticos, mas o mais próximo possível.

No gráfico não se vê a altimetria, mas a diferença não passou de 50m. Outra dica boa é achar locais cem relevo, inclinação e terreno similares aos da competição alvo.

A potência média corrigida deu 294w para o Big e 269w para o treino. São 25w de diferença que, como mencionei, podem estar relacionados aos fatores citados acima e é claro de uma menor motivação em relação a estar na competição.

O que importa também é que os picos de potência específicos foram otimizados em partes especificas do percurso, como subidas longas.

Agora tão importante como fazer um bom treino pessoal é poder ter todas essas informações armazenadas para passar para nossos coaches e atletas OCE.

Uma das diferenças desse treino simulado para o Big é que a gente vê pela análise de quadrante que o RPM dentro da prova foi mais alto se comparado com o treino. Para mim, isso é um sinal positivo, pois tenho uma tendência de andar melhor com cadências mais altas, e se eu me senti bem nesse treino existe grandes chances de eu me sentir melhor ainda no Big.

Quadrante 4 – RPM

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É assim que a cada análise de potência, eu e todos os coaches da OCE conseguimos otimizar com tamanha precisão cada segundo de cada treino e competição dos nossos atletas.

Consideramos a experiência na prática algo de suma importância, que completa nossa experiência acadêmica e nossos quase 15 anos de experiência com treinamento e análises de potência.

Temos como objetivo ser uma das melhores consultorias esportivas do mundo, porque é só assim, buscando a excelência em nossos processos que conseguimos obter resultados diferenciados, positivos e duradouros.

 

Hugo Prado Neto – OCE

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