Embora o início no esporte seja frequentemente associado à infância ou à juventude, uma nova modalidade pode entrar na rotina em qualquer fase da vida. Foi assim com Claudete Buttner, que, depois de anos dedicados ao trabalho e à família, teve seu primeiro contato com a corrida de rua aos 44 anos.
Ao conhecer a Mooving Treinamento Esportivo e o treinador Marcelo Schuh, ela passou a treinar com regularidade e planejamento, embora objetivos mais concretos ainda não fizessem parte dos seus planos.
Com o passar do tempo, um desafio levou a outro, até que a atleta completasse sua primeira maratona, distância que sequer aparecia entre suas metas no início. A seguir, conheça como essa evolução aconteceu e quais experiências marcaram a trajetória dela dentro e fora do esporte!
A descoberta de um espaço para si através das corridas
Até 2016, quando estava com 44 anos, Claudete Buttner não praticava nenhum esporte, pois quase todo o seu tempo era dedicado ao trabalho e à família. Com uma jornada diária de cerca de nove horas como gerente administrativa, ela ainda precisava cuidar das obrigações de gerir uma casa.
Durante anos, ela acompanhou de perto a rotina dos filhos, Gustavo Buttner e Natan Buttner, levando-os à natação, ao futebol e às aulas de inglês, além de ajudá-los nos estudos. Com tantos compromissos, cuidar de si quase sempre ficava para depois: “Até os 44 anos, eu não me priorizava. Minha atenção estava focada totalmente nas minhas responsabilidades”, conta.
Esse cenário começou a mudar a partir de 2016, quando os filhos, então com 19 e 13 anos, já não dependiam tanto dela nas tarefas do dia a dia. Com um pouco mais de tempo livre, Claudete passou a caminhar pela Beira-Mar de Florianópolis-SC depois do trabalho, ainda sem frequentar uma academia ou seguir qualquer tipo de treinamento.
Pouco depois, durante um almoço de domingo com a família, sua cunhada Nina Teodoro perguntou o que ela vinha fazendo e ouviu sobre as caminhadas. Como já treinava com uma assessoria esportiva, Nina convidou Buttner para uma prova de 5 km que aconteceria dali a 15 dias e se ofereceu para cuidar da inscrição.
Ela aceitou o convite e chegou à prova com o tênis que já usava no dia a dia. Antes da largada, foi apresentada à equipe da Mooving Treinamento Esportivo e começou o percurso ao lado de uma atleta que estava voltando de lesão. As duas correram juntas durante os primeiros 2 km, mas, quando a companheira reduziu o ritmo, ela continuou e completou a prova em cerca de 30 minutos.
Na chegada, o treinador Marcelo Schuh elogiou seu pace e a convidou para conhecer os treinos da assessoria. Naquele momento, ela sequer sabia o significado da palavra: “Eu não sabia se gostava, não sabia o que era pace nem como funcionava uma assessoria, mas me permiti descobrir aquele mundo”, relembra.
Embora o local dos treinos ficasse fora do seu caminho habitual, a atleta decidiu experimentar. Como ainda não tinha um relógio esportivo, ela passou a usar as marcações de distância da Beira-Mar para cumprir as atividades. Depois de fazer um teste de 3 km, recebeu sua primeira planilha e começou a entender melhor aquele novo universo.
Com o passar das semanas, a corrida ganhou espaço em sua vida e se tornou um momento no qual ela podia se desligar das demais responsabilidades: “Quando eu corria, não lembrava do mercado, do trabalho ou dos outros compromissos. Aquele momento era só meu”, explica.
A evolução nas primeiras provas e o desafio na Patagônia
Os treinos continuaram e, ainda em 2016, Claudete Buttner voltou a competir nos 5 km, dessa vez na Corrida de Angelina, em Santa Catarina. Mesmo debaixo de chuva, ela completou o percurso e conquistou o primeiro pódio de sua trajetória: “Foi muito gratificante. Eu não sou uma pessoa muito competitiva, mas quero dar o meu melhor e terminar feliz”, compartilha.
Apesar dessa conquista, ela ainda não pensava em distâncias muito maiores. Os 10 km eram sua principal meta, enquanto a meia maratona parecia fora de alcance: “Eu dizia que nunca faria 21 km. Para mim, chegar aos 10 já seria o auge”, lembra.
Não demorou muito e em 2017, depois de completar seus primeiros 10 km, Claudete percebeu que a distância que antes parecia seu limite poderia ser apenas mais uma etapa. A conquista aumentou sua confiança e mudou sua forma de encarar os próximos desafios, abrindo espaço para a meia maratona.
Essa mudança de mentalidade ficou clara durante a preparação para os 21 km, quando o treinador Marcelo Schuh aumentou os longões aos poucos, passando por 12, 14, 16 e 18 km. Em vez de se preocupar com o percurso completo de uma só vez, ela passou a olhar apenas para a próxima etapa: “Se eu já consegui realizar os 12 km, sou capaz de concluir os 14 km”, relata.
Com a preparação construída passo a passo, Claudete Buttner concluiu sua primeira meia maratona ainda em 2017, com o tempo de 2h02. A distância que antes parecia impossível se transformou em uma de suas conquistas mais marcantes: “A felicidade não cabia em mim. Foi um dos dias em que me senti mais realizada”, afirma.
Curiosamente, as provas de 15 km vieram depois da primeira maratona, principalmente em provas de trail run. Nas trilhas, a atleta percebeu que sua maior qualidade não estava na velocidade, mas na força e na resistência para enfrentar diferentes terrenos: “Eu gosto de subir montanha, de descer, de passar pela praia e de enfrentar os obstáculos. Essa conexão com a natureza é o que me move”, revela.
Dois anos depois da meia maratona, em 2019, essa identificação com as corridas de trilha levou Claudete a um percurso de 25 km na Patagônia, Argentina. Acompanhada por colegas de treino, ela encontrou um evento com bandeiras de diversos países e atletas preparados até para ultramaratonas.
Mais do que a quilometragem, todo o ambiente daquela experiência ficou marcado em sua memória. Ao concluir os 25 km, ela percebeu que também fazia parte daquele cenário: “Eu comecei a entender que pertencia àquele lugar. Estava ali e iria fazer o meu melhor”, recorda.
Imagem 1 – Atleta Claudete Buttner
Fonte: Arquivo Pessoal
A força nas trilhas e a sequência de pódios
Depois da experiência na Patagônia, Claudete Buttner continuou buscando outras provas de trilha e passou a viajar com a equipe para diferentes percursos. Nos anos seguintes, correu em cidades do interior de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, além de participar quatro vezes da Volta à Ilha, em Florianópolis.
Como cada desafio apresentava terrenos, distâncias e subidas diferentes, ela também passou a seguir treinos mais específicos. Para os percursos de maior dificuldade, o treinador Marcelo aumentava a duração das atividades e a altimetria: “Se antes o treino era de duas horas, passava para três. Se a altimetria era de 800 metros, precisávamos chegar a 1.600”, descreve.
A combinação entre esse preparo e sua resistência trouxe novos pódios, principalmente nas competições em trilhas, modalidade em que passou a medir sua evolução: “Eu quero melhorar, fazer a prova bem e sempre sorrindo”, reforça.
Entre as conquistas desse período, uma das mais marcantes ocorreu em 2024, quando a atleta disputou os 15 km da PDR, na Praia do Rosa, em Santa Catarina, e subiu ao pódio. A prova reuniu justamente alguns dos elementos que mais a atraíam no trail run, como obstáculos e a proximidade com a natureza.
Em março de 2025, o calendário ganhou um novo destino, quando a atleta viajou ao Rio de Janeiro para disputar uma prova de trail run no Parque Nacional do Itatiaia. Na ocasião, ela enfrentou um percurso de montanha e um cenário diferente das trilhas de Santa Catarina e ampliou sua experiência e participação em competições realizadas fora do estado.
Claudete Buttner encarou o desafio de completar sua primeira maratona
Enquanto mantinha as provas de trail run no calendário, Claudete Buttner escolheu a Maratona de Buenos Aires para estrear nos 42 km: “Eu queria fazer uma maratona, mas não em Florianópolis. Precisava de um objetivo maior, então escolhi a Argentina”, comenta.
A preparação começou em março de 2025, com o aumento gradual dos treinos longos sob a orientação do seu treinador. As distâncias passaram pelos 22 km e chegaram aos 30 km, concluídos sem grandes dificuldades, antes do último longão de 35 km previsto na planilha.
Pouco depois, quando faltava cerca de um mês para a maratona, Buttner começou a sentir fortes dores no estômago, náuseas e episódios de vômito provocados por uma gastrite. Sem condições de acompanhar a equipe no treino de 35 km, ela precisou adiar a atividade e procurou atendimento médico: “Eu me perguntava como aquilo podia acontecer justamente naquela hora, com a passagem comprada e tudo pronto”, relembra.
Depois da avaliação médica, ela reorganizou os dias seguintes e completou sozinha os 35 km, apenas duas semanas antes da viagem. Entretanto, os sintomas ainda estavam presentes e voltaram ao fim da atividade, fazendo com que ela reduzisse os treinos até a data da prova.
Quando chegou o grande dia, ela teve o apoio de oito integrantes da assessoria, incluindo o treinador Marcelo. Durante a prova, embora não tenha voltado a vomitar, ela correu sem saber como o estômago reagiria após tantas horas de esforço. A dificuldade para consumir os géis de carboidrato continuava, o que a obrigou a abandonar a meta de tempo e diminuir o ritmo para conseguir avançar: “Eu pensei: vou fazer mais devagar, mas não quero parar”, ressalta.
Até os 35 km, a atleta ainda tinha como referência a maior distância alcançada nos treinos. Depois daquela marca, cada quilômetro trazia uma nova incerteza, além do receio de que, se começasse a caminhar, não conseguisse voltar a correr.
Com o cansaço aumentando e sem conseguir usar os géis como havia planejado, ela administrou o ritmo, passou pelos 40 km e seguiu até completar a maratona em 4h40, acima do tempo desejado, mas sem caminhar: “Foi emocionante! Quando vi aquela entrada, percebi que eu tinha que estar ali”, destaca.
Nos dias seguintes, os sintomas voltaram e ela precisou passar dois dias em repouso antes de voltar para o Brasil. No entanto, a dificuldade não apagou a conquista nem afastou a vontade de encarar novamente os 42 km: “Enquanto os outros jantavam e comemoravam, eu tive que ficar descansando. Mesmo assim, passei a maratona planejando o que poderia melhorar e como faria a próxima”, conta.
Imagem 2 – Atleta Claudete Buttner
Fonte: Arquivo Pessoal
Uma década de corrida e novos objetivos pela frente
Já em 2026, depois de se recuperar da maratona, Claudete Buttner completou dez anos na Mooving Treinamento Esportivo, ao lado do treinador Marcelo Schuh. Atualmente, corre no asfalto às terças e quintas-feiras, faz os longões nas trilhas aos sábados e inclui dois treinos funcionais na semana.
Para conciliar essa agenda com uma jornada de trabalho de nove horas, ela leva uma mochila para a empresa, troca de roupa ao fim do expediente e segue diretamente para o treino: “Aconteça o que acontecer, quando chega o horário, eu coloco minha roupa e digo para mim mesma que preciso ir”, explica.
A constância ajuda a explicar os números de sua trajetória: são cerca de 70 provas, 10 meias maratonas e 15 pódios, sendo 3 deles em 2026. Claudete diz que ainda tem desafios de trail run no calendário e considera disputar sua segunda maratona em 2027.
Como companheira dessa rotina esportiva, a atleta usa a Treinus para receber os treinos enviados pelo treinador, utiliza a sincronização com relógio e consulta os resumos mensais. Inclusive, foi pelo aplicativo que descobriu ter corrido mais de 1.000 km em 2025: “Eu não me imagino fazendo todas as minhas obrigações sem a Treinus. Já fizemos até um teste em outra plataforma, mas não entregavam as mesmas facilidades”, indica.
Mais do que resultados, a corrida levou a atleta a cuidar melhor da alimentação, incluir o fortalecimento muscular na semana, descobrir um momento para si mesma e encontrar uma forma de aliviar o estresse do dia. Aos 53 anos, Claudete Buttner afirma se sentir mais forte do que quando começou, aos 44.
Essa transformação também inspirou colegas de trabalho, familiares e amigos a começar a correr. Por isso, sua mensagem parte da própria experiência: “A idade não é um limitador. O primeiro passo é se permitir tentar, porque depois dele podem vir muitos outros”, finaliza.
Sobre a atleta
Claudete Aparecida Buttner tem 53 anos, é formada em Economia e atua há 33 anos como gerente administrativa em uma empresa de consórcios. Mãe de dois meninos, é apaixonada pela praia e pela vida, além de valorizar a conexão com as pessoas.


