Qualidade de vida

O esporte e o equilíbrio entre corpo e mente

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Maior disposição, longevidade saudável, flexibilidade corporal. Esses são alguns dos incontáveis benefícios que o esporte pode trazer para a qualidade de vida dos praticantes. Mas, para além das vantagens percebidas no corpo, há também uma importante ação que o movimento tem sob o cérebro e, consequentemente, na saúde mental dos atletas.

Uma prática recorrente de atividade física faz com que o fluxo sanguíneo se intensifique, juntamente com a oxigenação do corpo, resultando na liberação de neurotransmissores que melhoram o funcionamento do cérebro e produzem sensação de bem-estar. Automaticamente, o corpo e a mente são beneficiados e, é claro, impactam positivamente na saúde mental.

Saúde mental e atividade física

De acordo com a psicóloga e doutora em psicologia Andrea Pesca, saúde mental é um termo ligado à forma como uma pessoa reage às exigências, desafios e às mudanças da vida.  Ou seja, é o modo como ela harmoniza suas ideias e emoções, é o equilíbrio e um estado de bem-estar no qual o indivíduo percebe suas próprias habilidades de forma adequada, podendo lidar com o estresse cotidiano e ansiedade. “Quando a pessoa não tem uma boa saúde mental ou ela está sendo atingida, é quando todos esses aspectos emocionais e psíquicos estão fora de harmonia, estão com alguma alteração devido a algum evento estressor ou algo que desequilibrou esses estados.” explica a profissional.

Para reequilibrar corpo, alma e mente a atividade física possui uma relação extremamente direta e crucial. Afinal, como já dizia o ditado: mente sã, corpo são. Para Andrea, isso ocorre porque somos constituídos de corpo, mente e espírito, ou seja, da união deles e a interseção entre eles. “Estudos mostram que quanto mais atividade física regular você tem semanal, mais equilíbrio na saúde mental você vai conseguir adquirir. O exercício físico ajuda a prevenir e até minimizar sintomas de ansiedade, estresse, depressão e outros transtornos psíquicos. Além desses transtornos, combate também o sofrimento psíquico.”, revela a psicóloga que também defende o exercício como uma terapia complementar para auxiliar esses índices.

A saúde mental do atleta

Quando o assunto é a saúde mental especificamente dos atletas deve-se dar atenção especial ao equilíbrio dos aspectos emocionais e verificar se houve uma queda de tais fatores. Outra questão muito importante é que tanto o praticante, quanto o treinador devem ficar atento às emoções e em como elas estão sendo digeridas e lidadas, quais os comportamentos que derivam dessas emoções. “É muito importante verificar a questão dos eventos estressores e como eles estão sendo administrados pelos atletas. Além de investigar se essas alterações estão ocorrendo devido a um acontecimento pessoal ou profissional, é bom verificar o quanto isso está atingindo as questões de rendimento e quais as possíveis intervenções para minimizar esses efeitos, como por exemplo: carga demasiada de treinamento, conflito com técnicos, comissão técnica, membros da equipe, essas são questões que precisam de atenção.”, explica Andrea que também ressalta a importância de usar estratégias mentais e psíquicas para que os atletas possam lidar com esses eventos estressores.

Saúde em movimento

Quanto às doenças mentais e psicológicas como ansiedade e depressão, o esporte também exerce grandes benefícios já que a prática desencadeia diversas outras questões no organismo como hormônios, neurotransmissores, dopamina, serotonina, oxitocina, e outras substâncias que têm a função de trabalhar a questão do prazer, além de possibilitar o equilíbrio de fatores que podem vir a levar à depressão.

“O exercício físico, não só o movimento do corpo em si, mas a questão de como esse movimento age internamente, também vai ajudar nos aspectos psíquicos como ansiedade e estresse.”, avalia a psicóloga.

Por fim, de acordo com Andrea, para além dos hormônios produzidos por meio do exercício físico, há outros fatores de atenção para manter a saúde mental do atleta como analisar as metas propostas de forma real e apurar o olhar para os sentimentos, suas razões e as atitudes que podem ser tomadas para melhorar e se conectar ao que está sentindo. “Existem algumas técnicas de respiração para controle de ansiedade, estresse e aumento de concentração. Praticar yoga ou meditação também reflete nessa conexão de mente, corpo e espírito.”, indica a especialista enquanto reforça a necessidade da prática de esporte rotineira. “A prática regular, pelo menos 3x por semana, é extremamente importante para o bem-estar e saúde do praticante. No caso dos atletas, é indicado também realizar outro esporte que dê prazer além do escolhido na competição.”, finaliza.  

Conheça o profissional

Andréa Duarte Pesca é psicóloga, doutora em psicologia UFSC e pós-doutora em psicologia do Desporto pela FMH. Presidente da ABEPEEx (Associação Brasileira de Estudos em Psicologia do Esporte e do Exercício) e membro da diretoria executiva da SOCAPE. É pesquisadora colaboradora de laboratórios de pesquisa em Psicologia do esporte e do exercício da UFSC, UDESC e FMH – Lisboa. Trabalha com atletas e instituições esportivas há mais de 20 anos, atuando também com praticantes de exercício, transtornos de humor, transtornos de ansiedade e estresse e transtornos alimentares. Tem pesquisas nacionais e internacionais sobre aspectos psicológicos com foco na autoeficácia do atleta, coletiva, treinador e árbitros.

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