Qualidade de vida

Você está sofrendo de ansiedade esportiva?

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Vitórias, troféus, pódios… Quem vê a trilogia de sucesso de um atleta não imagina que por trás também há diversos desafios, como a busca por patrocínio, gastos com treinamentos, estrutura para praticar e, claro, a cobrança para que tudo isso gere o resultado esperado. Nessa busca, não é só o preparo físico que deve ser levado a sério! O equilíbrio com a saúde mental também precisa estar em dia para evitar alguns transtornos recorrentes na vida dos desportistas como, por exemplo, a ansiedade no esporte.

A relação entre ansiedade e esporte

De acordo com o psicólogo clínico do esporte Fernando Giovannotti, a ansiedade é uma condição emocional de sofrimento, que traz sentimento vago e desagradável de medo e apreensão. Tem também como padrão uma tensão ou desconforto definida pela expectativa de que algo inesperado ou perigoso aconteça ou vá acontecer.

Na vida do atleta, todas essas características podem aparecer relacionadas à prática esportiva em suas mais variadas formas, como medo de não atingir a performance desejada, não conseguir patrocínio, receio em falhar, cobrança exacerbada, entre outros.

Nesse ponto, Fernando ressalta que alguns sintomas revelam quando o atleta está sofrendo grande pressão, causando a ansiedade esportiva. Para ele, quando a pessoa está ansiosa, ela fica com pensamentos repetitivos e quase sempre mergulha profundamente em seus sintomas, muitas vezes, parando somente em hospitais ou pronto-socorro. “Irritabilidade geral, expectativa ansiosa na pré-prova, quando pensam que tudo pode dar errado naquela prova. Ataques de ansiedade acompanhados por distúrbios de atividade cardíaca ou respiratórios, suor, tremores, calafrios, compulsão alimentar e diarreia são os principais sintomas”, explica.

A ansiedade esportiva

Quando o assunto é esporte, a ansiedade aparece em cobranças e expectativas por um bom resultado. Sejam essas cobranças internas ou externas, vindas de treinadores, colegas de treino e patrocinadores. Pode-se manifestar também quando um atleta ou time não apresenta um bom resultado por um determinado tempo e exista a possibilidade de uma nova derrota ou fracasso. Isso faz com que ele (ou o time) gere uma cobrança excessiva e, consequentemente, um transtorno de ansiedade.

O psicólogo explica que esse distúrbio acontece, muitas vezes, porque a maior parte dos atletas são ensinados e incentivados a não demonstrar fraqueza, a não chorar e a não revelar emoções. “Aquilo que não é dito, pesa. Quando chega um ponto onde o sintoma do atleta começa a atrapalhar a performance, acredito que essa seja a hora de perceber que ele está sofrendo por alguma coisa, antes que esse sintoma o tome por completo e comprometa sua carreira”, alerta.

Portanto, é preciso estar de olho quando a emoção e o frio na barriga em relação ao esporte começam a tomar rumos mais intensos. “Quando esse friozinho na barriga passa a tomar conta do atleta e causa uma paralisia, medo, taquicardia, sudorese ou até mesmo um distúrbio respiratório, aí sim o atleta tem que ficar atento e procurar um profissional para ajudá-lo a entender o que aconteceu naquele momento, se foi algo pontual ou se vai ser algo que irá acompanhá-lo daí pra frente.”, indica o psicólogo.

Entendendo a ansiedade no esporte

As causas que intensificam a ansiedade esportiva são diferentes para cada atleta. Fernando conta que, assim como cada ser humano é único, os gatilhos também são diferentes, ou seja, são diversos fatores que agem de forma diferente, em pessoas diferentes. “O importante para nós, psicólogos e profissionais da saúde, é olhar cada atleta com sua individualidade e história de vida, para tentar ajudá-lo a identificar e lidar melhor com o problema, seja ele qual for, de ansiedade a depressão.”, complementa.

Além disso, é necessário olhar para o fenômeno de acordo com a forma no qual ele aparece, positiva ou negativa. “Tudo depende da intensidade dessa ansiedade. Pode ser positiva, quando o atleta usa a seu favor, para fazer visualizações, planejar algumas jogadas, ‘entrar em contato’ com a competição que irá fazer sem ser pego de surpresa. E negativamente, quando ele é consumido pelas sensações pré-prova, gerando uma paralisia, gasto de energia desnecessário e pensamentos fixos de erros.”, diferencia o profissional.

Você não precisa passar por tudo sozinho

Apesar de possível, não é indicado tratar a ansiedade sem ajuda profissional. Fernando nos conta que o processo é longo e mentalmente doloroso, já que o atleta deve entrar em contato com camadas profundas de sentimentos. Além disso, quando se passa por isso sozinho, os riscos de que o problema não seja resolvido são ainda maiores e podem acarretar em aposentadoria precoce, desistência de carreira ou até mesmo suicídio, pois além de todos os treinos físicos e técnicos, o esportista ainda teria que lidar com a “cura” de sua ansiedade.

A dica, portanto, para viver o esporte ao máximo, com a performance e resultados desejados, mas sem deixar a saúde mental de lado, é ter sempre auxílio profissional por perto. “Para melhorar a parte física contrata-se um preparador físico, para melhorar a técnica contrata-se um especialista na área, para balancear a alimentação se chama um nutricionista, por que não contratar um PSICÓLOGO para resolver um problema mental?”, questiona Fernando, que também reforça a extrema importância do acompanhamento psicológico e do auxílio de técnicas profissionais para diminuir o sofrimento psíquico, controlar a respiração e com o tempo cortar o problema na raiz.

Deve-se também ter em mente que a busca pela melhor performance é importante, mas que respeitar os limites também é necessário. “Temos que evitar a busca do inalcançável. Para isso, é fundamental o estabelecimento de metas a curto, médio e longo prazo, dessa forma temos alguns parâmetros e números para acalmar essa busca da perfeição.”, inspira ele.

Para finalizar, o psicólogo incentiva o diálogo do atleta com sua rede de apoio, expondo suas dificuldades, principalmente para um profissional especializado. A melhor prática para combater a ansiedade é inspiração e ação. “Procure um psicólogo. Mantenha-se no presente, no aqui e agora. Não existe receita de bolo para tratar ansiedade, pois cada caso é um caso. Muitas vezes os sintomas são até os mesmos, mas a causa não! Então, enfrentar os sintomas acompanhado de um profissional é muito melhor do que enfrentá-los sozinho.”, completa. 

Conheça o profissional

Fernando Giovannotti é psicólogo clínico do Esporte formado pela UFES em 2007 e especializado em terapia corporal e psicologia esportiva. Ex-atleta e técnico de DBs da seleção brasileira de futebol, atuou pelos times TRITÕES, EAGLES e FLAMENGO entre 2007 e 2018. É também amante e praticante de vários esportes ao mesmo tempo.

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