Alimentação

Os alimentos remosos podem causar inflamações?

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Você já ouviu falar sobre os alimentos remosos? Regionalmente conhecidos por causar inflamações no corpo e até mesmo dificultar a cicatrização da pele, esse conceito ainda não é muito compreendido para grande parte da população.

Isso porque a ideia por trás desse termo está ligada a crenças populares que acreditam que certos tipos de comida podem provocar reações no organismo e, com isso, atrasar processos de recuperação.

Diante disso, se você ainda tem dúvidas sobre a origem desse conceito e, principalmente, se existem alimentos inflamatórios e que inibem a cicatrização, veja as respostas nesse conteúdo!

De onde vem o termo alimentos remosos? 

Os alimentos remosos são opções ricas em açúcar, sódio, gordura ou aditivos químicos. A expressão tem origem popular e o significado mais comum é usado para definir comidas consideradas “fortes” que podem atrapalhar a recuperação de feridas ou interferir na qualidade da cicatrização de procedimentos, sejam eles estéticos ou cirúrgicos.

Essa ideia surgiu, principalmente, da observação contínua das comunidades ribeirinhas da Amazônia, baseada na experiência com a pesca e a criação de animais. Nesses povoados, é comum a crença de que carnes suínas, frutos do mar e até algumas aves possam atrasar a cicatrização ou piorar inflamações. 

A justificativa é que, em algum momento da vida, esses seres se alimentam de matéria em decomposição. Dessa forma, o animal é exposto a uma grande quantidade de bactérias, que “passariam” para a carne e, consequentemente, para quem a consome. 

Mesmo depois do cozimento, acredita-se que as toxinas liberadas por elas resistem ao calor, podendo sobrecarregar o organismo e atrapalhar a recuperação em momentos de fragilidade. 

 Para exemplificar, confira alguns exemplos comuns de alimentos remosos:

  • Bacon.
  • Chocolate ao leite.
  • Alimentos empanados.
  • Presunto.
  • Produtos congelados prontos para o consumo.
  • Queijos processados.
  • Salsicha.
  • Sorvetes.
  • Sucos de caixinha.
  • Torresmo.

Em resumo, essas são comidas presentes na mesa de muitos brasileiros, já que são opções de baixo custo e têm sabores marcantes, o que induz o consumo frequente. Diante disso, compreender o que está por trás desse conceito é essencial para fazer escolhas mais conscientes para a sua saúde!

Algum alimento tem capacidade inflamatória?

Muitas pessoas acreditam que certas comidas podem desencadear reações adversas no corpo, mas isso não é tão simples quanto parece, já que, na prática, nenhum alimento sozinho provoca processos inflamatórios. Inclusive, não existem evidências científicas que comprovem isso!

No entanto, isso pode ocorrer em indivíduos que apresentam ou vivem com condições específicas de saúde, como restrição alimentar por alergias, intolerância a lactose ou predisposições genéticas, como a doença celíaca.

Nesses casos, o organismo reage mal ao que foi ingerido, causando desconfortos e inflamações. Agora, para a maioria que não vive com as condições citadas, não existe a preocupação com esse problema, uma vez que a alimentação não desencadeará tais incômodos.

Os alimentos remosos no dia a dia 

Mas, se não existem alimentos que causam inflamação, porque existe a precaução de consumo?

A explicação está nos momentos de fragilidade do corpo – como após cirurgias, durante a cicatrização de feridas, tatuagens, piercings ou traumas. Nesses períodos, o organismo direciona grande parte da sua energia para a regeneração dos tecidos.

Portanto, o que pode dificultar a recuperação não é o alimento em si, mas o esforço que o seu corpo precisa fazer para digerir comidas muito gordurosas, industrializadas ou com baixa qualidade nutricional

De forma geral, é recomendável escolher refeições mais leves, nutritivas e de fácil absorção, a fim de garantir que a reparação aconteça da melhor forma possível!

Conheça as 5 categorias de alimentos remosos!

Nas prateleiras dos supermercados, é possível encontrar uma infinidade de alimentos remosos, que vão desde grãos refinados até produtos industrializados em geral. 

 Você pode encontrá-los facilmente no dia a dia, especialmente em:

  • Carboidratos refinados.
  • Embutidos e enlatados.
  • Fast foods.
  • Alimentos ricos em gorduras.
  • Carnes suínas. 

Para fins ilustrativos, conheça a seguir as especificidades das 5 categorias principais em que eles costumam ser classificados:

Quadro ilustrativo com as 5 categorias de alimentos remosos

1. Carboidratos refinados

Esse é o primeiro grupo de alimentos que são, normalmente, encontrados nas mesas de grande parte da população brasileira. Os carboidratos refinados são produtos que passaram por um processo industrial que remove boa parte dos nutrientes, como fibras e vitaminas, para realçar o sabor e melhorar a textura.

Embora não estejam diretamente ligados a processos inflamatórios, eles são considerados alimentos remosos pois apresentam alto teor de açúcar e baixo valor nutricional.

Alguns exemplos de carboidratos refinados que você deve consumir com moderação são:

  • Açúcares e xaropes.
  • Alimentos empanados.
  • Barras de cereais e/ou barras energéticas.
  • Bebidas energéticas com alto teor de açúcar.
  • Macarrão instantâneo.
  • Molhos picantes.
  • Pizza congelada.
  • Refrigerantes e sucos de caixinha.
  • Salgados e salgadinhos industrializados.

A fama de vilão dos carboidratos vem deste grupo, mas é importante lembrar que nem todos os tipos desse nutriente são iguais, já que existem outras versões que devem fazer parte de uma alimentação equilibrada.

Como alternativa mais saudável, existem opções integrais que são melhores e oferecem maior saciedade, como flocos ou farinha de aveia, arroz, pães e massas feitos com farinha integral, além de produtos à base de sementes, como chia, linhaça e girassol.

2. Embutidos e enlatados

Embutidos e enlatados são opções práticas e rápidas para o dia a dia, encontrados facilmente em supermercados, em embalagens variadas como latas e potes à vácuo. Sua popularidade vem pela longa validade e facilidade de preparo, tornando-os escolhas frequentes para quem busca conveniência na alimentação.

No entanto, eles costumam conter altos níveis de sódio, gorduras saturadas e conservantes artificiais, o que os classificam como alimentos remosos. Entre os exemplos mais comuns, estão:

  • Linguiça.
  • Mortadela.
  • Patê pronto.
  • Peito de peru.
  • Presunto.
  • Salame.
  • Salsicha.

Para manter uma alimentação mais equilibrada e saudável, prefira carnes frescas magras (como peito de frango e cortes magros de carne bovina), além de sardinha e atum naturais em óleo (removendo a conserva).

3. Fast foods 

Provavelmente você já optou por fast foods em vários momentos da sua rotina, justamente pela praticidade e pelo gosto marcante que eles oferecem. Apesar de serem rápidos e saborosos, eles são, em sua maioria, alimentos ultraprocessados.

Recheados de ingredientes artificiais, conservantes, sódio, açúcar e gorduras em excesso, também são considerados remosos, que podem dificultar a recuperação do organismo em diversas situações. 

Preparados em formato de refeições, você deve evitar: 

  • Cachorros quentes industrializados.
  • Hambúrgueres, nuggets e frituras de redes de fast food.
  • Milk shakes.
  • Pizzas e sanduíches industrializados.
  • Produtos congelados prontos para o consumo.
  • Torradas e snacks industrializados.

Para substituir essas opções, opte por preparações caseiras simples e nutritivas (como grelhados, saladas e legumes cozidos), lanches naturais (como sanduíches com pão integral, proteínas magras e vegetais), frutas frescas e sucos naturais (sem adição de açúcar), além de água e chás naturais para manter a hidratação.

IMPORTANTE: Vale ressaltar que o consumo frequente desses produtos pode aumentar o risco de obesidade, doenças cardiovasculares e outras condições relacionadas a uma alimentação desequilibrada, que merece atenção especial!

4. Alimentos ricos em gorduras

Aqui, essa categoria reúne alimentos com altos níveis de gorduras saturadas e trans que, quando consumidos em excesso, podem sobrecarregar o organismo e impactar negativamente a saúde geral, elevando o colesterol ruim (LDL) e aumentando o risco de problemas cardiovasculares, como infarto.

Por mais que sejam agradáveis ao paladar e presentes em muitas refeições, merecem atenção especial ao consumo. Alguns exemplos conhecidos são:

  • Cortes gordurosos de carnes vermelhas, como cupim e fraldinha.
  • Cremes e molhos à base de manteiga ou creme de leite.
  • Margarinas e gorduras hidrogenadas.
  • Frituras, como batata frita, salgadinhos e alimentos empanados.
  • Queijos amarelos e processados, como cheddar e queijo prato.
  • Salames, embutidos e outros frios gordurosos.

No entanto, existem alternativas mais leves e nutritivas que você pode incluir na sua alimentação. Aposte em cortes magros de carne (como patinho e músculo bovino) e queijos brancos com baixo teor de gordura (como ricota e minas padrão).

Lembre-se: nem toda gordura é inimiga, mas a qualidade dela faz toda a diferença!

5. Carnes suínas 

Para fechar a lista das categorias de alimentos remosos, temos a carne suína. Muito apreciada na culinária brasileira, mas que também precisa de moderação, já que boa parte dos cortes são gordurosos. Evite:

  • Bacon.
  • Barriga.
  • Bisteca.
  • Costela.
  • Panceta.
  • Torresmo.

Por outro lado, existem opções mais magras que podem ser incluídas na dieta com menos preocupação, como lombo e filé mignon suíno, e também pernil sem gordura. 

Afinal, é realmente necessário evitar os alimentos remosos?

Antes de mais nada, é importante entender que os alimentos remosos, quando consumidos em excesso, podem trazer impactos negativos à saúde. Porém, isso não significa que você precisa eliminá-los completamente do seu cardápio. 

Aqui, a recomendação de ter moderação é especialmente válida em momentos de recuperação, como pós-operatórios e depois de procedimentos estéticos. O segredo está em saber dosar e escolher bem o que vai ao prato sem passar vontade.

Agora, se você vive com condições de saúde que precisam de atenção e cuidado, busque orientação de um nutricionista para que ele avalie suas particularidades, adeque sua alimentação e garanta que as adaptações feitas sejam seguras e eficazes para o seu caso específico.

Você também pode incluir na rotina outros alimentos que favorecem a cicatrização e a recuperação, como:

  • Leguminosas, como feijão, lentilha, grão-de-bico e outras variedades, que são fontes ricas em fibras e proteínas essenciais.
  • Peixes, ricos em gorduras boas e nutrientes que auxiliam no cuidado com a saúde da pele.
  • Frutas e legumes frescos, que fornecem vitaminas e minerais indispensáveis ao funcionamento do organismo.
  • Sucos naturais sem adoçantes artificiais, para hidratação e reposição de nutrientes.

Diante disso, fica claro que com consciência e cuidado, é totalmente possível fazer escolhas que não sejam prejudiciais ao corpo, especialmente em períodos delicados. No fim das contas, o objetivo é garantir um cuidado completo com o seu corpo, preservando a qualidade de vida sem abrir mão do prazer de comer bem!

Referência

Tabus alimentares em medicina: uma hipótese para fisiopatologia referente aos alimentos remosos