Alimentação

Mitos e verdades sobre alimentação

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Dieta saudável é um dos temas mais discutidos atualmente. Juntamente com essa discussão, também presenciamos diversos mitos e verdades sobre alimentação, alguns até são extremamente enraizados em nosso cotidiano e, por isso, mais difíceis de excluir do dia a dia. De acordo com Carla Bogéa, nutricionista e mestre em ciência dos alimentos, alguns dos principais deles é que a única forma de emagrecer é cortando carboidratos ou que proteína e produtos sem glúten e sem lactose não engordam.

Dieta restritiva é a saída?

O emagrecimento tem também seus mitos e verdades e um assunto que vez ou outra entra em pauta é sobre as dietas restritivas. Quanto a elas, Carla diz que é preciso bastante cautela ao usar tal restrição. “Todo excesso faz mal à saúde e claro que na busca do equilíbrio precisamos fazer algumas restrições. O maior problema é que o ser humano em geral, considera a comida como uma das suas maiores fontes de prazer. O ideal é encontrar prazer em alimentos saudáveis e aí, parar de sofrer por estar em dieta.”, explica.

Existe alimento ruim?

Existem alimentos que realmente fazem mal ou é só questão de quantidade e equilíbrio? Para responder essa questão, em primeiro lugar, é preciso considerar a individualidade de cada um. Por exemplo, para uns, o glúten faz mal, já outros não possuem nenhuma intolerância. Mas alguns produtos altamente processados devem ser evitados por todos, como: 

  • Embutidos.
  • Industrializados cheios de química e conservantes.
  • Margarina.
  • Sorvete com espessantes e estabilizantes químicos. 
  • Refrigerantes.
  • Doces e biscoitos industrializados.
  • Batata pré-frita congelada.
  • Macarrão instantâneo.
  • Açúcar refinado. 
  • Entre muitos outros.  

Mas é importante viver sua rotina sem neura: “Evite calorias vazias, que não fornecem nenhum nutriente, mas as exceções fazem parte da jornada. Se você tem uma dieta equilibrada e saudável a semana toda, não tem nada demais em um dia na semana você estar numa festa e comer alguma besteira. Lembrando que as exceções não podem se tornar regra.”, tranquiliza a profissional.  

É preciso cortar glúten e lactose para emagrecer?

Segundo Carla, os estudos apontam que só é necessário cortar glúten e lactose se o paciente tiver intolerância a eles, o que não significa, necessariamente, a certeza do emagrecimento. “Você pode apenas desinchar, melhorar sua digestão e reduzir alguma sensação de desconforto. Sabemos que o consumo de glúten exagerado pode trazer uma diminuição da absorção de nutrientes e uma resposta inflamatória mais exacerbada. Assim como a lactose causa um aumento de gases digestivos e de muco nas vias aéreas, mas isso é o excesso e não está ligado ao emagrecimento.”, esclarece.  

É possível emagrecer comendo carboidrato?

Afinal, o carboidrato é mesmo o vilão da dieta? Segundo Carla, esse é um dos maiores mitos do emagrecimento. Carboidratos não são o terror da dieta e, sim, um macronutriente essencial para um equilíbrio alimentar. “Precisamos apenas ter cuidado com a qualidade desse carboidrato, seu índice glicêmico, a hora e a quantidade que será consumido.”, revela.

Além disso, o aumento de performance está fortemente ligado ao consumo de carboidratos, sendo totalmente possível emagrecer com o seu consumo, desde que haja déficit de calorias. “Ele só se tornou um vilão porque as pessoas associam sua ingestão ao ganho de peso – teoria defendida pela linha cetogênica. E porque o seu consumo abusivo traz prejuízos.”, salienta a nutricionista que defende a função essencial do carboidrato como fonte de energia, para o cérebro e pela função estrutural nas membranas plasmáticas das células.

Alimentos saudáveis também sabotam a dieta

Frutas, sucos, alimentos integrais… Todos parecem ser os melhores amigos de quem quer uma alimentação balanceada. Certo? Errado! Segundo a profissional não é porque um alimento é saudável que ele não engorda. O exemplo disso são granolas, tapiocas e abacate, que apesar de benéficos, são extremamente calóricos. Os integrais também entram nessa lista “Considerando o nome, vemos que o alimento integral está ali na íntegra, sem tirar nada da sua composição natural. Isso significa que tem mais fibras e vitaminas (pão, por exemplo), mas também pode ter mais gordura (leite, por exemplo).”, diz Carla.  

Jejum intermitente

O mito sobre emagrecimento da “moda”, dessa vez fica por conta do jejum intermitente. Quanto à ele, a nutricionista alerta que ele deve ser feito com acompanhamento nutricional e de forma gradual, não é uma competição de quem fica mais tempo sem comer e, sim, uma estratégia para estimular o corpo a metabolizar gorduras de maneira mais eficiente. “Não é porque seu amigo faz 14h de jejum que você tem que ficar 18h. Outra dica é: não faça se estiver com o sistema imunológico baixo ou se não tiver dormido bem. Além do emagrecimento, estudos mostram que a prática de jejum intermitente pode, em longo prazo, trazer aumento na longevidade”, ressalta a profissional.

É importante também observar que o jejum não é um emagrecedor por si só, isso é, independente do que é consumido nas janelas de alimentação. Para ter resultado, é necessário que se controle a qualidade das refeições e a quantidade de calorias, pois é preciso impor um déficit energético. 

Equilíbrio é a chave

Com tantos mitos e verdades sobre alimentação e emagrecimento, há uma dica que deve ser levada à risca: equilíbrio. O ideal é fugir dos extremos e procurar um profissional de nutrição que prescreverá os passos certos para obter resultados satisfatórios em um prazo razoável, ou seja, querer tudo pra ontem não é sustentável e nem benéfico. “Treine sua mente para encontrar prazer na comida que você pode comer e no exercício regular. Atitudes saudáveis são importantes, mas não resolvem… precisamos construir hábitos saudáveis: disciplina e consistência nesse processo – somos aquilo que fazemos repetidamente.”, finaliza.

Conheça a profissional

nutricionista Carla BógeaCarla Pires Bógea é nutricionista, especializada em Nutrição Aplicada à Atividade Física, com Mestrado/Doutorado em Ciência dos Alimentos. Atuou também como nutricionista da -Federação de Atletismo do Rio de Janeiro e é Sócio Fundadora da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva. Corredora apaixonada, Carla é triatleta em formação.

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