Alimentação

Saiba como prevenir o câncer através da alimentação

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A relação entre alimentação e câncer é um assunto amplamente discutido no cenário da saúde global, afinal, a escolha dos alimentos consumidos no dia a dia pode desempenhar um papel significativo na prevenção ou no desenvolvimento dessa doença.

Dados da Organização Mundial da Saúde (2024) mostram que a neoplasia continuará crescendo ao longo dos anos, e mais 35 milhões de novos casos podem surgir em 2050, um aumento de 77% em relação aos 20 milhões estimados em 2022.

Para entender quais as relações tecidas entre alimentação e câncer, bem como quais são as substâncias que influenciam e promovem o aparecimento e o desenvolvimento da doença, convidamos a médica especializada em nutrologia Consolação Oliveira para tratar do assunto.

A relação entre alimentação e câncer

Uma das doenças que ainda é um grande problema na sociedade é o câncer, já que sua incidência tem aumentado significativamente ao longo dos anos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (2020), o câncer é a segunda principal causa de morte no mundo. A nível global, uma em cada seis mortes estão ligadas à doença.

A relação entre alimentação e câncer é um tema complexo e amplamente estudado pela comunidade científica. Diversas pesquisas sugerem que a dieta desempenha um papel significativo no desenvolvimento e na prevenção de certos tipos da doença.

De acordo com Consolação Oliveira, cada vez mais a ciência comprova a associação entre alimentação e câncer. “O Centro Internacional de Pesquisa sobre Câncer, que é parte da Organização Mundial de Saúde, vem estudando cada vez mais esses alimentos, que já foram até classificados como carcinogênicos, chamados de Grupo 1, que têm evidências científicas como causadores de câncer, principalmente por conter nitrosaminas e hidrocarbonetos aromáticos”, explica a médica.

O Grupo 1 é uma classificação estabelecida pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) e inclui substâncias que são consideradas cancerígenas para os seres humanos, com base em evidências científicas.

Alguns dos alimentos contidos nesse grupo são considerados embutidos, como:

  • Apresuntados.
  • Bacon.
  • Mortadela.
  • Peito de peru.
  • Salame.
  • Salsicha.

No caso dos enlatados, eles não são considerados, por si só, agentes cancerígenos. No entanto, certos tipos podem apresentar um risco aumentado da doença devido à presença de substâncias potencialmente nocivas, como bisfenol A (BPA) e ftalatos. 

Para a nutróloga, esses produtos devem ser excluídos da alimentação. “De um modo geral, eles precisam ser evitados pelas pessoas para que possam prevenir não só o câncer, mas também outras doenças degenerativas crônicas como hipertensão, diabetes e o próprio infarto”, reforça a profissional.

Consumo excessivo de açúcar e alimentos processados

Além dos embutidos e enlatados, o consumo de açúcar e de alimentos ultraprocessados precisa ser feito com moderação ou até mesmo eliminado da dieta. Isso porque eles também têm sido também associados a um maior risco de desenvolver a doença. 

De acordo com Oliveira, eles geralmente têm baixo teor de nutrientes essenciais e são ricos em calorias vazias, açúcares adicionados, gorduras saturadas, sódio e aditivos artificiais. “Nós sabemos que, hoje, todos os alimentos que são industrializados e  processados contêm açúcares escondidos. Sucos de pozinhos e de caixinhas, bolos, pães, tortas, e apresuntados possuem substâncias que vão temperar os nossos pratos. Os contemporantes, edulcorantes, aromatizantes, todos os ‘antes’ que vão ser muito prejudiciais para a saúde no futuro”, alerta.

Alimentos diet e light

Alimentos rotulados como diet e light são frequentemente comercializados como alternativas mais saudáveis aos produtos convencionais, especialmente para aqueles que buscam controlar o peso. No entanto, é importante entender que nem sempre eles são necessariamente mais saudáveis ou adequados para todos os indivíduos. 

Os alimentos diet e light não são uma alternativa segura, já que também são processados, estando presentes em embutidos, e vêm com uma proposta que às vezes engana o consumidor”, destaca.

Apesar de parecerem uma boa escolha, essas mudanças nem sempre significam que os alimentos são mais saudáveis, já que podem conter outros aditivos ou ingredientes para compensar a perda de sabor ou textura.

A alimentação de quem convive com o câncer

Quando se trata da relação entre alimentação e câncer no caso de pessoas que convivem com a doença, é crucial considerar o contexto individual de cada paciente, incluindo o tipo e o estágio da doença, tratamentos em curso e outras condições clínicas. 

A profissional destaca que refeições saudáveis desempenham um papel importante no apoio ao tratamento e na melhoria da qualidade de vida durante o enfrentamento dessa enfermidade. “Pacientes que foram diagnosticados com câncer ou estão em tratamento oncológico precisam de um ajuste nutricional feito por um nutricionista em conjunto com um nutrólogo para que possam excluir da dieta alimentos processados, industrializados, embutidos e, principalmente, o açúcar”, afirma Consolação Oliveira.

Uma alimentação balanceada, rica em frutas, legumes, grãos integrais, proteínas magras e gorduras saudáveis, pode fornecer os nutrientes necessários para apoiar o sistema imunológico, ajudar na recuperação após tratamentos como cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, bem como promover o bem-estar geral. Além disso, certos alimentos têm sido associados a benefícios para pacientes oncológicos, como:

  • Frutas vermelhas e vegetais de folhas verdes (ricos em antioxidantes).
  • Feijões, lentilhas e aveia (ricos em fibras).
  • Peixes gordurosos, nozes e sementes de linhaça (ricos em ômega-3).

Para acrescentar, a médica também explica que é muito importante utilizar os benefícios dos alimentos naturais para auxiliar no tratamento da doença. “Frutas, legumes e verduras são nossos aliados para evitar, tratar, e ajudar pacientes que possuem câncer. Podemos citar a couve de bruxelas, que é rica em diindolilmetano, uma substância que evita a formação de câncer de mama e de câncer de próstata. Também temos que destacar aqui a presença do resveratrol, que está na uva. Além disso, a curcumina, como açafrão, que nós consumimos hoje cada vez mais, e o chá verde, que também é uma substância muito importante”, recomenda.

Os desafios alimentares no dia a dia

No dia a dia, muitas pessoas enfrentam diversos desafios relacionados à alimentação, que podem afetar a saúde e o bem-estar de várias maneiras. E um dos principais é a falta de tempo para planejar e preparar refeições saudáveis em meio a rotinas agitadas. 

Boa parte da população recorre a opções rápidas e convenientes, como fast foods, carboidratos refinados e refeições prontas, que geralmente são ricos em calorias vazias, açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio, e pobres em nutrientes essenciais.

Para a médica, a falta de educação nutricional também é um fator importante que contribui para os desafios alimentares enfrentados pela população. “Muitas pessoas não têm conhecimento sobre nutrição adequada, leitura de rótulos de alimentos e preparação de refeições saudáveis, o que pode levar a escolhas inadequadas e a problemas de saúde a longo prazo”, comenta.

Ainda, ela explica que existem alternativas para mudar a situação. Uma alimentação equilibrada é a chave para diminuir o risco de desenvolver não só câncer, mas outras doenças, como o Alzheimer ou as doenças autoimunes. Uma orientação segura para que as pessoas possam ir trocando aos poucos as substâncias embutidas, industrializadas, é, como eu digo para os meus pacientes, ‘marmitar’. Isso nada mais é do que preparar marmitas com comidas naturais, como uma batata doce, uma mandioca, um inhame, às vezes, uma crepioca, um omelete com tomate e cebola. Além disso, sempre procurar carregar uma fruta, porque, quando estiver em um local e/ou momento em que não tem escolha, você sempre terá algum alimento que possa consumir naquela hora para saciar, não só a sua vontade, mas também a sua fome”, orienta Oliveira.

Confira a seguir outros alimentos recomendados pela médica especializada em nutrologia que podem ser inseridos com mais frequência na rotina:

  • Abacate.
  • Abacaxi.
  • Aipo.
  • Amêndoas.
  • Aspargos.
  • Brócolis.
  • Cenoura.
  • Chia.
  • Couve.
  • Espinafre.
  • Goiaba.
  • Grão-de-bico.
  • Granola.
  • Iogurte natural (sem adição de açúcar).
  • Kiwi.
  • Laranja.
  • Maçã.
  • Manga.
  • Morango.
  • Nozes.
  • Pera.
  • Pimentão.
  • Quinoa.
  • Salmão.
  • Sementes de girassol.
  • Tomate.
  • Uva.
  • Vagem.
  • Vinagre de maçã (não processado).

A importância de ingerir alimentos nutritivos na dieta 

Entender a relação entre alimentação e câncer é crucial para promover a saúde e prevenir o desenvolvimento dessa doença, por isso, ingerir aqueles que são nutritivos é muito importante para a manutenção da saúde e o bem-estar geral do corpo.

Dessa forma, priorizar uma dieta balanceada, composta principalmente por opções naturais, ricas em vitaminas, minerais e antioxidantes, ajuda a combater danos celulares e a reduzir o risco de desenvolvimento de células cancerígenas. “Nós sabemos que o açúcar é o alimento preferido das células cancerígenas, então é importante excluí-lo e, claro, recorrer aos alimentos naturais, contendo verduras, legumes, frutas e óleos, como o azeite de oliva extravirgem. Então, a alimentação segura é importante na prevenção da doença”, reforça.

Portanto, para ter longevidade, escolha os alimentos naturais e ricos em nutrientes. Assim, é possível reduzir riscos de câncer e viver com mais qualidade de vida!

Sobre a profissional 

Médica especializada em nutrologia Consolação Oliveira

Consolação Oliveira é médica especializada em nutrologia, fisiologia hormonal e medicina ortomolecular. Além de dar palestras, também é professora de pós-graduação médica em São Paulo, no SEBRAE, e também no SEMEP, em Belo Horizonte. Está sempre na busca da melhora da qualidade de vida das pessoas.

Referências

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